Aleitamento materno em questão no Brasil

Enviada em 30/03/2020

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que até os seis primeiros meses de vida a criança seja alimentada somente com leite materno. Porém, segundo estatísticas do Fundo das Nações Unidas pela Infância (UNICEF) em 2019, apenas quatro em cada dez bebês no mundo são alimentados conforme tal recomendação. Muitas mães ainda sofrem preconceito ao alimentar seus filhos em público e carecem de apoio externo e de informação sobre sua maternidade, fazendo com que seja necessária uma reflexão sobre a questão do aleitamento e um estímulo à causa.

Diante do baixo índice de amamentação, as mães enfrentam muitos desafios nesta fase. O nascimento e primeiros dias de vida do bebê vêm acompanhados de muito estresse, pressão e ansiedade, ocasionando um sentimento de incapacidade e insegurança nessas mulheres. Tais fatores emocionais ainda podem dificultar o processo de amamentação, fazendo com que seja necessária uma preparação antecipada. É essencial que as mães tenham conhecimento do aleitamento e suas dificuldades, com acompanhamento médico, e que haja um ambiente de apoio e afeto promovido pelo parceiro e a família para, assim, gerar confiança e estabilidade na vida da mãe e, consequentemente, na da criança.

Além disso, a maioria das pessoas têm o conhecimento da importância do leite materno, que é rico em glicose, proteínas, sais minerais e vitaminas e é fundamental para o desenvolvimento do bebê. Inclusive, segundo pesquisas feitas pela própria OMS, crianças que são amamentadas, sobretudo até os seis meses, têm menos risco de se tornarem obesas do que crianças alimentadas com leite em pó. Porém, paradoxalmente, existe um grande preconceito por parte da sociedade com a questão da amamentação em público. Rafaella Ferraz, brasileira e mãe de duas crianças, discorreu para o jornal Estadão uma experiência desconfortável que sofreu. Estava com o marido e o filho de quatro meses em um estabelecimento em Santos quando decidiu amamentar. Então, o maître se aproximou e pediu para que Rafaella o levasse para outro lugar. “Eu perguntei se tinha uma área específica ou mais confortável para eu amamentar, e ele me disse para usar o banheiro”, relata.

Tendo em vista esta realidade, é nítido que o leite materno é muito importante e que a informação é imprescindível. No Brasil, o índice de amamentação no início da vida é de 38,6%; um número considerado referência mundial, mas ainda extremamente baixo. Assim, o Ministério da Saúde deve estimular campanhas através das mídias sociais, buscando conscientizar a população sobre a importância da amamentação e do apoio às mulheres, que devem se sentir confortáveis em alimentar seus filhos em espaços públicos, além de aconselhá-las a se informar e buscar ajuda médica, zelando para com a saúde física e emocional das mesmas e de seus filhos.