Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 23/03/2020
A amamentação é um estágio muito importante na vida de um ser humano, pois, além de ser recomendada pelos mais conceituados profissionais da saúde, é também uma maneira de estabelecer um vínculo afetivo entre mãe e filho. No entanto, apesar de sua grande relevância, a maioria não segue a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), de que o aleitamento seja a alimentação exclusiva até os seis meses de idade. Isso se deve ao preconceito da sociedade com relação ao ato, pois ele é erroneamente visto como obsceno, resultado do machismo instaurado no Brasil.
Apesar de se tratarem da mesma parte do corpo, o seio feminino e o masculino são vistos de formas socialmente distintas; enquanto o primeiro é sexualizado, o último é naturalmente aceito. De acordo com a “Pesquisa Global sobre Aleitamento Materno 2015”, da empresa “Lansinoh”, 47,5% das participantes afirmaram terem sofrido preconceito ao aleitar em público. Por conseguinte, é notória a inibição sofrida pelas mães, vinda majoritariamente da população de homens, os quais não passam pela mesma situação e demonstram uma falta de empatia perante aquelas.
Consoante à Simone de Beauvoir, uma das mais relevantes filósofas da contemporaneidade, “Não se nasce mulher, torna-se mulher.”. Dessa maneira, as opressões sociais influenciam diretamente as decisões tomadas por essa minoria. Conforme a mesma pesquisa previamente citada, 98% das integrantes afirmaram que o aleitamento é a melhor forma de nutrição. Todavia, conforme a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, apenas 36,6% das mães seguem o aconselhado pela OMS. A priori, torna-se evidente o quanto os padrões conservadores e sexistas afetam negativamente os indivíduos.
Em virtude do exposto, conclui-se que a amamentação é fundamental; contudo, o país apresenta empecilhos para que esse significativo momento seja livremente ocorrido. Destarte, fazem-se necessárias atitudes para reverter o atual cenário, como a ampliação das campanhas, por parte do Ministério da Saúde, a favor do aleitamento, de forma que sejam veiculadas em diversos meios comunicativos, dentre eles o rádio, a televisão e as redes sociais. Além do mais, é importante que essas possuam caráter informativo, destacando os benefícios para a saúde do bebê, e conscientizador, especialmente em relação à parcela masculina. Assim, propicia-se um Brasil mais informado e igualitário.