Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 22/04/2020
No livro “Casa Grande e Senzala” o pensador Gilberto Freyre fala sobre as amas de leite do período colonial no Brasil. Nessa perspectiva, elas eram negras robustas que cuidavam e amamentavam os filhos dos colonizadores, porque suas mulheres eram magras e fracas. Essa realidade ainda assola o país, uma vez que o aleitamento materno é colocado em questão, pois há mulheres que dependem de outras para amamentação dos filhos e muitas sofrem com o preconceito da sociedade.
A priori, o aleitamento materno é uma questão no Brasil porque muitas mulheres não conseguem ou optam por não amamentarem seus filhos e precisam que outras façam isso para que ele cresça saudável, uma vez que contém inúmeros nutrientes que ajudam no seu desenvolvimento. Esses problemas podem ser redução de mama, sentir muita dor ou o leite secar. Embora o país seja uma das referências mundiais, com 36,6% dos bebês amamentados até os seis meses de vida, segundo a Unesco, a porcentagem ainda é baixa. Isso é fruto da falta de informação sobre o assunto para a população. Além disso, muitas mulheres colaboram para o aleitamento dos filhos de outras pessoas, porque traz benefícios pra si, como proteção contra câncer de mama e ovários.
A posteriori, a amamentação em público ainda é um tabu a ser quebrado pela sociedade, pois muitas mulheres deixam de dar de mamar ao seu bebê por estarem com vergonha do que as pessoas vão falar. Para isso, elas precisam procurar locais específicos que muitas vezes não são confortáveis nem para ela e nem para a criança. Isso faz com que muitas comecem a rejeitar a ideia de amamentarem seus filhos, o que mostra que o machismo ainda é marcante na sociedade brasileira, pois não deixa que as mulheres se sintam confortáveis em uma situação que deveria ser considerada normal. Nessa realidade, um movimento pró-amamentação é instituído para que as mulheres, em sororidade, lutem pelos seus direitos e vem ganhando mais adeptas no decorrer dos anos, segundo o site O Globo.
Portanto, o aleitamento materno ainda é uma questão no Brasil, porque há problemas na amamentação e o preconceito ainda é presente na população. Assim, políticas de propagação de informação desse assunto devem ser incentivadas pelo Ministério da Saúde, por meio da divulgação de panfletos e visitas domiciliares pelos agentes de saúde, para que eles mostrem a importância do leite materno e a disposição dos hospitais e programas sociais em distribuir esse tipo de leite gratuitamente para a população. Além disso, as próprias grávidas conscientizarem as pessoas de que amamentar em locais públicos é normal, por meio da Internet com campanhas nos sites e aplicativos, e os estabelecimentos apoiarem essa causa e permitirem a prática neles, para que divulguem a importância de amamentarem na hora certa e o tabu imposto pela sociedade seja quebrado, respectivamente.