Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 23/04/2020
O Período Colonial foi um momento em que as “amas de leite” amamentavam os filhos das patroas nos engenhos brasileiros. Isso, por sua vez, pode ser relacionado ao aleitamento materno que é uma questão pouco discutida no país. Desse modo, é preciso entender que tal prática seja vista de maneira nutritiva e natural para a saúde do bebê. Entretanto, o imediatismo de uma parcela da família e o preconceito de parte da sociedade agravam esse problema no Brasil.
Primeiramente, é válido analisar que o Futurismo foi uma vanguarda européia que tinha enorme valorização da velocidade e da tecnologia. Fora da temática literária e artística, percebe-se que tal aceleração pode representar, hoje, a rotina de milhares de brasileiros que saem para trabalhar e, muitas vezes, não possuem tempo para cuidar de seus próprios filhos, no que se diz respeito ao aleitamento materno. Dessa forma, fica evidente que a tarefa de amamentar se mantém negligenciada pela pouca responsabilidade da instituição familiar. Isso tem associação direta à “Modernidade Líquida” que, de acordo com o sociólogo Bauman, é a liquidez das relações humanas. Ou seja, há uma fragmentação dos laços afetivos por conta da rapidez do contato de parte da família em relação à amamentação.
Além disso, há também o preconceito de parte da sociedade que é mais um fator para agravar a situação do aleitamento materno. Essa prática acontece porque ainda se encontra um machismo cultural enraizado no meio social. Isso pode se relacionar à “banalização do mal” que, segundo a filósofa Hannah Arendt, é um sistema no qual o mal é naturalizado como forma sutil do ser humano. Isto é, uma parcela da sociedade negligencia o problema do aleitamento materno e, consequentemente, banaliza o preconceito. Devido a esse motivo, o ato de amamentar se torna uma situação repleta de comentários desagradáveis e olhares tortos. Porém, é preciso entender que da mesma forma que um adulto entra em uma lanchonete para comer um sanduíche, os bebês também sentem fome em qualquer hora do dia e, portanto, necessitam se alimentar por meio da amamentação.
Portanto, a fim de diminuir qualquer tipo de problema em relação à amamentação, a sociedade civil deve, em parceiro aos centros educacionais, criar fóruns, nas comunidades, para associar a formação escolar aos problemas sociais, no que se diz respeito ao aleitamento materno. Junto a isso, a família precisa participar de debates com a presença de especialistas que estimulem o contato afetivo entre pais e filhos para que todos tenham uma melhor qualidade de vida. Ademais, o governo necessita organizar campanhas em prol da amamentação por meio de leis que sejam aplicadas urgentemente de maneira a defender o direito das mães a fim de que, assim, todos tenham dignidade humana como consta na Declaração Universal dos Direitos Humanos.