Aleitamento materno em questão no Brasil

Enviada em 17/04/2020

Na série “Outlander”, escrita por Diana Gabaldon e ambientada no século XVIII, a jovem escocesa Jenny é constantemente retratada grávida ou amamentando seus filhos, visto que, naquela época, esse ato já era considerado crucial para a manutenção da saúde do bebê. Fora da ficção e nos dias atuais, muitos estudos ocorreram com relação a esse assunto. Porém, mitos e preconceitos ainda se disseminam facilmente, sobretudo no Brasil. Diante desse contexto, torna-se fundamental discutir acerca das vantagens do aleitamento materno na prevenção de doenças no bebê, bem como o preconceito sofrido pelas mães, devido à sexualização de seus corpos.

É válido destacar, inicialmente, que o leite materno é essencial na prevenção de diversas doenças não só durante a infância, como também na vida adulta. Além de contribuir no desenvolvimento do sistema imunológico, os diversos nutrientes e minerais fazem dele um alimento completo para os bebês. Segundo a OMS(Organização Mundial da Saúde), crianças que não foram amamentadas têm cerca de 22% mais chances de se tornarem obesas. Ademais, doenças como câncer, diabetes, entre outras, também têm suas chances diminuídas. Esse dado comprova que o aleitamento materno possui consequências diretas para toda a vida do indivíduo.

No entanto, apesar dos benefícios do aleitamento, muitas mães sofrem o entrave da sexualização de seus corpos. Isso ocorre porque, devido ao machismo presente na sociedade, toda e qualquer exposição do corpo feminino é rapidamente associada à vulgarização e à ofensa dos valores morais. Dessa forma, segundo uma pesquisa feita pela marca Lansinoh sobre o aleitamento materno, em 2015, 47,5% das brasileiras afirmaram ter sofrido preconceito ao amamentar em público. Tal fato demonstra que, embora seja um ato totalmente voltado para a criança, a inferiorização e objetificação do corpo feminino pode afetar gravemente a disseminação de um ato tão crucial para a vida de qualquer individuo.

É necessário, portanto, que o Ministério da Saúde elabore um aplicativo de celular chamado “aMÃEmenta”, direcionado às mães, com informações divulgadas por profissionais da saúde, a fim de que toda informação seja facilmente acessada por qualquer mulher, independente de classe social, para que os benefícios da amamentação sejam cada vez mais conhecidos. Ademais, é dever do Legislativo elaborar uma lei que permita a denúncia, por parte das lactantes, de qualquer ato de preconceito sofrido em público, com prisão de até seis meses para o infrator. Assim, todo e qualquer ato de preconceito será reprimido. Dessa forma, a amamentação se tornará cada vez mais comum e menos estigmatizada, assim como retratado em “Outlander”.