Aleitamento materno em questão no Brasil

Enviada em 23/04/2020

De acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), todo indivíduo tem direito à saúde. Nesse contexto, o acesso ao aleitamento materno na fase neonatal é uma das formas de promoção desse direito, visto que o leite materno contribui de forma positiva para a saúde do bebê, pois fortalece o seu sistema imunológico. Entretanto, esse assunto ainda é tratado, no Brasil, com certo “tabu”, uma vez que a maioria das mães são vítimas de preconceito ao amamentar em público, como também, algumas mulheres sofrem por não conseguirem produzir leite para alimentar o seu bebê.

A principio e segundo a filósofa alemã Hannah Arendt, a sociedade vivencia um processo de naturalização do mal, ou seja, os problemas são tratados de forma natural e repassado as gerações sem busca de soluções. Nessa perspectiva, amamentar em público se naturalizou em sociedade como sendo algo errado, pois o ato da mãe de expor uma parte do seio em público é encarado como errado por parte da sociedade. Disso, decorre o preconceito através de xingamentos em público, contribuindo de forma negativa para a saúde emocional da mãe que fica reprimida de amamentar em publico, como também, do bebê que tem a sua saúde fisiológica colocada em risco por não receber o leite materno no horário adequado.

Além disso, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a hipogalactia (pouco leite) é um distúrbio fisiologístico em que a  mulher não é capaz de produzir leite suficiente para amamentar o seu bebê. Nesse contexto, as mães que sofrem dessa patologia acabam recorrendo a mamadeira como forma de alimentar o seu bebê. Entretanto, sabe-se que o leite em pó não contém todos os nutrientes que o recém nascido necessita sendo necessário em alguns casos procurar programas sociais que recebam doações de leite materno e distribuam entre as mães com hipogalactia. Mas, esses programas alternativos de aleitamento materno, no Brasil, ainda são precários, visto que não existem unidades arrecadadoras de leite em todos os estados e os recursos destinados pelo o governo são ineficientes.

Portanto, diante dos fatos mencionados, compete ao Estado educar a sua população sobre o aleitamento materno e isso ocorre por meio de palestras nos centros educacionais e nos Postos de Saúde da Família (PSF) com profissionais qualificados e com a entrega de cartilhas educativas mostrando que a amamentação em público é um direito da mãe e do bebê e que o preconceito em relação a esse ato é crime, visando com isso erradicar o preconceito existente. Ademais, faz-se necessário que o Governo invista em programas de aleitamento materno por meio da destinação de mais recursos para a implantação do sistema em todos os estados, como também, divulgue por meio da mídia que as mães doem leite materno aos programas visando ajudar quem sofre com hipogalactia.