Aleitamento materno em questão no Brasil

Enviada em 17/04/2020

Em 2013, o humorista Danilo Gentili ofendeu publicamente em seu programa televisivo a enfermeira Michele Maximino, a maior doadora de leite do Brasil. Ao cunhar termos pejorativos sobre a sua capacidade de doar leite, o apresentador mostrou uma realidade ainda presente no Brasil. Infelizmente, o aleitamento materno é reconhecido como sendo importante, mas muitas vezes tratado como algo vergonhoso, que deve ser feito as escondidas e ser motivo de piada. Dentre as causas dessa questão, estão a falta de consciência da ação e a continuação de antigos preceitos sobre o leite materno.

Primeiramente, observa-se que uma das causas do não reconhecimento da amamentação está a falta de consciência da ação.Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o aleitamento materno é a maior fonte de nutrientes para  recém nascido e é recomendado que o leite deve ser a alimentação exclusiva do bebê por 6 meses de idade, estendendo com outros alimentos até 2 anos. Isso mostra o quanto deveria ser dada a importância ao amamentar, mas uma parcela de cidadãos brasileiros não leva isso em consideração e não se conscientiza no tocante ao assunto, o que acaba prejudicando o ato e sua disseminação. Infelizmente, 54,7% das mulheres brasileiras afirmam terem sofrido preconceito ao amamentar em público, o que evidencia a falta de consciência do quão primordial é a amamentação para os recém nascidos.

Além disso, nota-se que a continuação de antigos preceitos prejudicam o reconhecimento da importância do ato de amamentar. O aleitamento materno é visto como um motivo de vergonha quando feito em público, e que tal ato deve ser feito com o maior pudor possível. Porém, esse tipo de atitude ainda remete aos costumes antigos do século XIX, quando as mulheres brasileiras não podiam nem exercer o direito ao voto. De acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), em seu artigo 25, “A maternidade e a infância têm direito a cuidados e assistência especiais”. Ou seja, não deve ser tolhido de uma mãe o direito, o dever e o querer de amamentar seu filho ou outrem em qualquer lugar do território público ou privado do Brasil, sem exceções.

Portanto, medidas que assegurem a relevância e o reconhecimento da importância do aleitamento materno no Brasil fazem-se necessárias. O Governo Federal deverá, constituir por meio de emenda constitucional, que é crime federal fazer-se uso de palavras pejorativas ou preconceito ao ato de amamentar em público, com penas atribuídas à todas as instâncias. Além disso, deverá com a ajuda do Ministério da Educação, a distribuir material educativo em locais públicos e nas escolas brasileiras sobre a importância do leite materno e o quanto é errado tentar proibir o aleitamento em local público. Dessa forma, situações como a de Michele Maximino deixarão de ser uma realidade no Brasil.