Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 21/04/2020
Segundo a mitologia grega, os irmãos gregos Rômulo e Remo foram jogados no rio Tibre ao nascer e encontrados por uma loba, que teria os amamentado e cuidado deles até que fossem encontrados. Em analogia à realidade atual, a amamentação torna-se imprescindível para o recém nascido, tendo em vista que o colostro, primeiro leite que sai da mama, é muito importante para sua saúde, pois é rico em proteínas e anticorpos. Dessa maneira, é válido analisar a importância do aleitamento materno no Brasil, bem como as implicações para sua não efetivação.
A princípio, segundo dados da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), 36,6% das crianças com até seis meses recebem exclusivamente leite materno. Isso faz com que o Brasil esteja acima da média e se torne um exemplo mundial no que tange ao aleitamento materno. No entanto, apesar de ser referência, ainda não existe uma divulgação efetiva quanto à importância da amamentação. Tal fato revela uma característica de uma sociedade pós-moderna, visto que, em busca da praticidade, muitas mães recorrem às indústrias lácteas infantis que comercializam leite artificial, o que pode ocasionar prejuízos futuros às crianças. Dessa maneira, é preciso que hajam estratégias de persuasão às lactantes acerca da amamentação, tendo em vista os inúmeros benefícios nutricionais, imunológicos e cognitivos que o leite materno pode oferecer para o bebê.
Outrossim, de acordo com a Constituição Federam de 1988, a saúde é um direito de todos. Contudo, esse direito é violado à medida que não acontece um estímulo e apoio da população ao aleitamento, como por exemplo em locais públicos, tendo em vista que 47% das mulheres dizem ter sofrido preconceito ao amamentar publicamente, segundo a OMS. Além disso, muitas lactantes têm dificuldade de amamentar, o que ocasiona fissuras e incômodos nas mamas. Dessa maneira, a criança acaba não ganhando peso e os pais preferem optar pela fórmula.
Torna-se evidente, portanto, que o Governo, em parceria com o Ministério da Saúde, deve ampliar as campanhas publicitárias, por meio da vinculação destas aos meios de comunicação, como propagandas, redes sociais e documentários, a fim de conscientizar as lactantes sobre a importância que a amamentação promove à saúde do bebê, não somente física, como também afetiva, devido a conexão mãe e filho. Além disso, é necessário ainda que que o governo invista em profissionais de saúde que orientem e deem suporte para que a mãe não deixe de amamentar integralmente seu filho. Ademais, é preciso que se extingua o julgamento por parte da sociedade, para que as mães não se sintam envergonhadas a ponto de precisarem procurar um lugar “escondido” para amamentar. Dessa maneira, o Brasil permanecerá sendo referência mundial em aleitamento materno.