Aleitamento materno em questão no Brasil

Enviada em 19/04/2020

Numa campanha divulgada, em 2018, pelo Ministério da Saúde, é ressaltada a importância da amamentação, ao mostrar que os efeitos de tal ação perduram durante toda a vida dos indivíduos. Porém, apesar do aleitamento ser essencial para o desenvolvimento do recém-nascido, o preconceito persistente no Brasil atual dificulta a prática da amamentação, sendo esse um grave problema de saúde pública.

Em primeira análise, é necessário salientar que existem múltiplos aspectos que revelam a importância do aleitamento materno tanto para o recém-nascido quanto para a mulher. Um desses fatores é o fortalecimento do vínculo afetivo entre mãe e filho, já que a amamentação representa um momento íntimo entre ambos. Outrossim, é importante destacar que o leite materno possui uma grande quantidade de nutrientes de extrema importância para o desenvolvimento do menor, sendo ele uma fonte insubstituível de alimentação até os 6 meses de idade. Dito isso, a ausência do aleitamento na vida de qualquer pessoa pode ser considerada um desrespeito à Declaração Universal dos Direitos Humanos, já que ela garante a todos os indivíduos o direito à saúde, que é posto em risco ao negar a importância do amamentação.

Em segunda análise, é válido ressaltar que a persistência do preconceito na atual sociedade brasileira é um empecilho para a amamentação dos recém-nascidos. Isso porque a prática do aleitamento materno em público é reprimida pelas pessoas, dada a exposição do corpo feminino em locais abertos. Tal fato é comprovado pela Pesquisa Global sobre Aleitamento Materno, ao afirmar que quase metade das mulheres do Brasil (47,5%) já sofreram preconceito por amamentar seus filhos em meio à multidão. Esse dado confirma a manutenção, ainda na atualidade, da misoginia, visto que, devido ao preconceito da sociedade, a prática de uma ação essencial à saúde se torna uma atividade reprovada pela população.

Urge, portanto, que medidas sejam tomadas a fim de que o aleitamento materno seja uma prática mais frequente no Brasil. Para isso, é necessário que o Ministério da Saúde conscientize a população quanto à importância da amamentação para a criação de pessoas saudáveis. Tal ação deve ser feita por meio das mídias sociais, nas quais devem ser divulgadas campanhas que informem a comunidade sobre os males causados pelo preconceito contra as mulheres que amamentam seus filhos em público. Somente desse modo a sociedade se tornará mais compreensiva e o combate à misoginia permitirá que mulheres amamentem seus filhos sem que sejam reprimidas.