Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 17/04/2020
No Brasil, “agosto dourado” é um mês que simboliza a luta pelo incentivo à amamentação. Tal temática tem enorme relevância social, visto que atinge esferas individuais e públicas. Desse modo, vale ressaltar que, apesar dos bons índices de aleitamento materno, a nação brasileira ainda sofre com questões culturais e religiosas que interferem no amamentar, bem como carência de maiores políticas de incentivo à doação de leite.
Em primeira análise, é de fundamental importância o apoio social e familiar durante os meses de aleitamento materno, pois é um ciclo de grande pressão interna para a mãe. Entretanto, segundo a revista crescer, apesar de 64% dos brasileiros considerarem natural amamentar em público, 45% das mulheres disseram que já se sentiram criticadas ao realizar tal ato. Esse fato remonta a uma questão cultural e religiosa mal vista acerca do aleitar em público, isso provém de um histórico que sexualiza o corpo femino, nesse caso, o seio, até em sua função primária e da carência de políticas socioeducativas que visem o conforto maternal e normalizem esse gesto.
Outrossim, tendo em vista que o aleitamento materno contribui para saúde em todos os aspectos, é imprescendível analisar as condições de mulheres que não produzem, ou desenvolvem tardiamente, o alactamento. Para isso, foi criado,em 1998, o “banco de leite humano”, desde então o Brasil reduziu cerca de 70% a taxa de mortalidade infantil até 2012, conforme o Ministério da Saúde. Entretanto, esses números ainda não são suficientes, pois esses dados também mostram que quase metade dos bebês que necessitam não recebem doação por falta de estoque. Desse modo, é necessário o maior incentivo à adesão dessa política bem como seu aprimoramento, para que não haja um cenário de alta taxa de morte ainda na infância e desenvolvimento de doenças advindos da baixa imunidade ainda na fase lactente.
À luz dessas constatações acerca do aleitamento materno no Brasil, cabe, portanto, ao Ministério da Educação, em parceria com a mídia, criar mecanismos assistenciais para as mulheres e políticas socieducativas. Isso por meio de debates, panfletos e palestras com pediatras que falem sobre a importância da amamentação, bem como a desmitificação do amamentar em público. Essas devem ser veículadas nos ambientes virtuais, em instituições educacionais e locais de movimentação pública. Ademais, o Ministério da Saúde, junto aos meios de comunicação em massa, devem criar políticas que visem a divulgação e o incentivo da doação para os bancos de leite humano. Tal ato deve ser feito por meio de propagandas televisionadas e campanhas trimestrais para arrecadação e reabastecimento dos estoques, visando o auxílio aos bebês que necessitam e o apoio as mulheres que estão nessa fase.