Aleitamento materno em questão no Brasil

Enviada em 17/04/2020

Um homem com um corpo agigantado e a cabeça diminuta. Essa é a imagem presente na tela ``Abaporu´´ da pintora Tarsila do Amaral. Na construção desse personagem modernista, vê-se a intenção de expor a ausência de pensamento crítico do brasileiro do século XX, deficiência essa responsável por gerar um comodismo social. No entanto, esse déficit perdura até os dias atuais desencadeando posturas resignadas frente a problemas, como o aleitamento materno no Brasil. Sob essa ótica cabe analisar os aspectos políticos e culturais que envolvem essa questão no país.

Primeiramente, pontua-se que o Poder Público mostra-se negligente ao não esclarecer as dúvidas sobre o aleitamento materno. Isso porque há, por parte dos órgãos executivos, uma ineficiência quanto ao processo de conscientização, uma vez que falta informar as mães, em palestras ministradas por pediatras, sobre a importância da amamentação regular, para que ela não desista de fazê-la integralmente nos primeiros meses e o desenvolvimento saudável do bebê seja efetivo, de modo a garantir o direito à saúde desse. Sendo assim, nota-se que o governo não tem promovido o bem de todo o coletivo, demonstrando, dessa forma, a ausência de consolidação dos princípios fundamentais alicerçados nos ideais iluministas do século XVIII em prol da democracia.

Também, observa-se que o o silenciamento social frente à falta de assistência ao aleitamento materno apresenta-se como fator agravador desse quadro social negativo. Contudo, parte da população tem demonstrado certa inércia diante desse cenário por acreditar que são majoritários os segmentos políticos contrários ao investimento financeiro, de forma sistemática, em espaços de amamentação que contenham bancos de leite materno para fornecer às mães que não conseguem amamentar. Recorrendo aos estudos da cientista política Elisabeth Noelle-Neuman para explicar esse fenômeno, constata-se que, para evitar conflitos com grupos dominantes, alguns indivíduos tendem a fortalecer uma espiral do silêncio, permitindo, assim, a manutenção de alguns entraves.

Ressalta-se, portanto, que o aleitamento materno deve ser promovido. Para isso, é necessário exigir do Estado, via debates em audiências públicas, uma maior conscientização, em palestras com pediatras, sobre a importância da amamentação regular durante os primeiros meses do bebê, a fim de que o seu desenvolvimento saudável. Ademais, é essencial estimular a população, por intermédio de campanhas midiáticas produzidas por órgãos não governamentais, a respeito da necessidade de haver um maior engajamento coletivo para a quebra do silêncio em defesa do financiamento de espaços que contenham estoque de leite materno para as mães que não conseguem amamentar. Desse modo, a falta de senso crítico e o comodismo social ficariam restritos ao Abaporu de Tarsila do Amaral.