Aleitamento materno em questão no Brasil

Enviada em 17/04/2020

Uma das esculturas mais famosas da Pré-história é a Vênus de Willendorf, a qual  revela uma mulher com características que rementem a fertilidade, como os seios fartos. Essa temática presente na obra mostra como o processo de aleitamento foi valorizado desde os primórdios da sociedade, em virtude de ser essencial para formar pessoas saudáveis e, assim, garantir a propagação da espécie. No entanto, atualmente, fatores como a escassa informação e o tabu associado a amamentação em público contribuem para que essa importante prática perca o seu valor na sociedade brasileira.

A priori, ainda há, no Brasil, uma incipiente orientação das mulheres sobre o aleitamento que as tornam vulneráveis a mecanismos aproveitadores. Isso ocorre porque, diversas indústrias de Fórmulas e substituintes do leite materno usam a insegurança mãe para fazê-la comprar um produto, muitas vezes, não é necessário.  Nesse sentindo, como já foi observado pelo sociólogo Michel Foucault, existe uma relação intrínseca entre poder e conhecimento, pois ao entender o contexto em que vive, o indivíduo pode agir produtivamente na alteração de uma conjunta opressora, todavia, a escassa informação acerca dos mitos que rodeiam a amamentação impede que as mulheres adquiram poder e, por conseguinte, combatam empresas que só visam o lucro em detrimento da saúde infantil.

Em segunda análise, o preconceito atrelado à amamentação em lugares públicos desestimula as mulheres a persistirem nos 6 meses restritos dessa alimentação, como recomenda a OMS (Organização Mundial de Saúde). Diante disso, pode ser apontado com um dos motivantes mais sérios desse comportamento maléfico, a erotização do corpo feminino, presente desde a Idade Média, em que o pensamento teológico dominante ligava a mulher ao pecado. Assim, se antes ocorria a caça às bruxas quando mulheres evocavam domínio sobre seus corpos, hoje, o cerceamento da liberdade ocorre de forma mais sutil, e não  por uma instituição única como a Igreja, mas pela própria sociedade, quando as mães são constrangidas ao amamentarem seus filhos em ambientes compartilhados. Dessa forma, tal postura fere não só o direito da mãe de ir e vir, mas também o da criança de receber alimento, ambos assegurados na Constituição Brasileira.

Portanto, a fim de potencializar o aleitamento materno no Brasil, é mister que o Ministério da Saúde, atrelado à Sociedade Brasileira de Pediatria, amplie a circulação de informações sobre a amamentação no país. Isso pode ocorrer com a criação de feiras semestrais, nas principais praças públicas de todos municípios, em que obstetras e psicólogos instruam, não somente a mãe, mas toda a população, com o fito de criar uma rede de apoio às mulheres que estão amamentando e reduzir o preconceito associado a esse ato. Dessa maneira, será possível valorizar o aleitamento tal como faziam nossos ancestrais.