Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 23/04/2020
Um líquido rico em vitaminas, super nutritivo e que aumenta as defesas do organismo devido a alta carga de anticorpos em sua composição. O que certamente faria sucesso, caso lançado pela indústria farmacêutica, na verdade é disponível gratuitamente no seio de toda mãe lactante. No entanto, apesar de seus benefícios, o aleitamento materno, no Brasil, ainda encontra na falta de incentivo governamental e no preconceito social, os principais obstáculos à difusão da prática.
A princípio, a matriz do problema é evidenciada ao se analisar como o próprio Estado funciona como agente de coerção da amamentação. Essa desmedida governamental acontece quando, no país, tal prática ainda carece de um incentivo vertical o que, por sua vez, acaba reduzindo, no corpo social, a importância do leite materno no desenvolvimento da criança já que o próprio Estado não trata o assunto como uma questão importante de saúde pública. Essa situação fica ainda mais evidente nos dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), que revelou que apenas 39% dos bebês nascidos no país se alimentam de leite materno. Além disso, o órgão mostrou que o Brasil ainda é um dos países que menos investem em campanhas de amamentação. Isso revela que o governo, ao não apoiar devidamente, acaba se tornando principal obstáculo à amamentação.
Além disso, o problema se agrava ainda mais ao se analisar que, sem o incentivo necessário, a sociedade se configura como um grande agente repulsivo ao aleitamento devido ao preconceito com a prática. Isso acontece quando a falta de apoio institucional às lactantes se materializa em um repúdio que camufla o preconceito da sociedade contra o ato natural de amamentar em público. Esse panorama se materializa na inconsequente sexualização e coerção sobre o corpo feminino existente na população que enxerga no ato natural de aleitamento um atentado ao pudor público. O fato é que isso resulta em dificuldades à quase 50% das lactantes, como mostrou a matéria do Estadão, que enfrentam algum receio em amamentar em público devido às pressões coercitivas sofridas. Isso resulta em iniciação precoce de crianças em compostos alimentícios industrializados, diminuindo a prática do aleitamento.
Portanto, é preciso solucionar os principais problemas que dificultam o aleitamento no país. Desse modo, cabe ao Estado a tarefa de difundir informações que acerca da importância da prática à sociedade. Isso deve ser feito por meio de investimentos tanto em campanhas publicitárias para levar informação ao público sobre a importância do leite materno e da amamentação e acabar com o preconceito, quanto na destinação de verbas no setor de saúde para garantir recursos necessários a lactante como produtos de higiene e cuidados pessoais com o corpo das mães em fase de amamentação para dar o suporte necessários a manutenção dessa importante prática.