Aleitamento materno em questão no Brasil

Enviada em 23/04/2020

A prática do aleitamento materno nos primeiros 6 meses de vida configura o mais importante vínculo entre mães e filhos, visto que fornece todos os nutrientes necessários para garantir o crescimento saudável da criança, como afirma estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS). Sendo assim, é necessária a correta disseminação de informações sobre o assunto e, também, o combate a preconceitos referentes à amamentação.

Inicialmente, cabe-se uma análise da importância do conhecimento acerca do aleitamento. Segundo pesquisas da OMS, bebês que nunca foram amamentados têm 22% mais chances de desenvolverem obesidade, como também há correlação entre a ausência de amamentação na infância com o surgimento de doenças na fase adulta. Nesse sentido, é imprescindível que as mães tenham conhecimento sobre como é significativo tal processo durante a maternidade para o futuro da saúde da criança, tendo em vista que a amamentação é também um direito legal. Segundo o artigo 9º do Estatuto da Criança e do Adolescente, é dever do governo, das instituições e dos empregadores garantir condições propícias ao aleitamento materno, fazendo com que a principal forma de garantir tal direito seja por meio da informação e conscientização da família sobre essa realidade.

Além disso, outro aspecto importante é a relação entre desistência da amamentação e preconceitos enfrentados pela mãe. De acordo com a Pesquisa Global Lansinoh de Aleitamento Materno, apesar de 64% das mães considerarem natural o ato de amamentar em público, 40% delas já foi criticada ou sofreu com o preconceito. Tal prática de rejeição advém da ignorância, em uma sociedade que costuma sexualizar o ato de amamentar, num comportamento criminoso de objetificação do corpo da mulher. Essa realidade requer uma transformação de paradigmas por meio do empoderamento feminino, que conscientize sobre a legitimidade da amamentação e autonomia do próprio corpo, incluindo também a necessidade de reeducação do cidadão comum, a fim de combater tais preconceitos.

Tendo em vista os fatos citados, é necessário que o Ministério da Saúde, para fornecer conhecimento e acessibilidade, disponibilize especialistas em amamentação que possam acompanhar a família, instruindo-a pelo tempo necessário por cada mãe, com foco na humanização do processo e benefícios na saúde do bebê, a fim de combater desinformação, a maior causadora da desistência. Ademais, o Ministério, em parceria com empresas privadas, deve realizar uma campanha nacional de conscientização sobre o aleitamento infantil realizado em público, que alerte sobre a importância da prática, para que haja o combate ao preconceito contra a amamentação.