Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 23/04/2020
A amamentação é um processo natural que ocorre desde o surgimento do homem na sociedade, co-
mo esculpido na obra “Caridade com quatro filhos” do escultor italiano Lorenzo Bernini na época do Barroco. Nos dias atuais, o aleitamento materno continua sendo uma prática comum entre as mães, como ilustrado na obra de Bernini, contudo, a relação da mulher com o mercado de trabalho e a desinformação sobre a importância dessa alimentação vêm influenciando esse processo materno.
Desde meados do século 20, as mulheres passaram a se inserir no mercado do trabalho e, com Vargas, a CLT também trouxe a licença maternidade de 120 dias. A partir dessa inserção, foi possível perceber um decréscimo na taxa de fecundidade brasileira seguido do aumento da quantidade de mu-
lheres em posições antes não ocupadas por elas. Dessa forma, entre os diversos fatores para a dimi- nuição da quantidade de filhos por mulher está o curto período de tempo permitido por lei para a mãe permanecer em casa com seu filho, quebrando assim o ciclo de alimentação recomendado pela OMS. Assim, como a mulher só teria disponibilidade de amamentar seu bebê um terço do tempo ideal, os pais atualmente optam pelo uso da fórmula, acreditando que não haverá nenhum prejuízo para a criança.
Ademais, outro meio que pesa na troca da amamentação por fórmulas prontas é a falta de informação
dada às mães sobre a importância da alimentação natural e os benefícios trazidos ao bebê. De acordo com pesquisa realizada pela OMS, o aleitamento materno reduz em 13% a mortalidade infantil até os 5 anos, além de diversas outras doenças como diabetes, colesterol alto e hipertensão. Além disso, a amamentação é responsável pela iniciação do sistema imunológico do bebê pois, a partir do leite a criança recebe anticorpos e imunoglobulinas da mãe, sendo assim, é de suma importância que essa forma de alimentação ocorra por pelo menos 6 meses, como indicado pela OMS.
Sob esse viés, é necessário que o Ministério da Saúde forneça profissionais especializados para com-
por a equipe médica em hospitais maternidade com intuito de instruir as novas mães quanto a importân-
cia da amamentação e dicas para facilitar o processo entre ela e o bebê. Ademais, é fundamental que o Ministério da Saúde também invista em campanhas públicas: tanto em meios midiáticos, utilizando a televisão e “pop-ups” para disseminar informações importantes quanto o aleitamento materno, tendo em vista alcançar um público amplo; quanto em postos de saúde municipais, por meio da realização do evento “alimentar para crescer” uma vez por mês com intuito de informar os pais sobre os benefícios desse meio de alimentação natural. Assim, eventos como os retratados por Bernini voltarão a ser comuns, visto que as mães agora informadas optaram pelo alimentação através do leite materno em contrapartida o uso de fórmulas prontas.