Aleitamento materno em questão no Brasil

Enviada em 22/04/2020

Entre as lendas sobre a fundação de Roma, uma das  mais conhecidas foi a de Rômulo e Remo. Rômulo e Remo seriam irmãos que, sendo largados recém nascidos em uma cesta em um rio, teriam sido encontrado por um Loba, responsável por amamentá-los. O aleitamento materno, contudo, apesar de sua aceitação no imaginário popular, encontra barreiras de gênero e culturais em sua realização prática para as mães brasileiras.

A priori, é preciso entender a condição da mulher na sociedade atual. De acordo com o pensador Friedrich Engels, a luta de classes tem como elemento primordial a luta de gêneros, na qual o homem subjuga a mulher a condição de inferior e serva aos desígnios do mesmo. Assim, mesmo questões de vital importância tornam-se tabus sociais, vide que as mesmas tem seus desejos, suas vontades e suas necessidades suprimidas em favor do macho. Logo, mesmo questões fundamentais, como o amamento em público, tornam-se, ainda que o seja absurdo, controversas.

Além disso, segundo Simone de Beauvoir, na sociedade existe um movimento paradoxo de hiper sexualização do corpo feminino e castração de sua sexualidade. Assim sendo, os seios da mulher, os quais sofrem uma hiper sexualização, são “castrados” socialmente, sendo considerado um “atentado ao pudor” alimentar um bebê em público. Articulado a isso, como bem analisa o pensador Lévi-Strauss, as instituições sociais, como a escola, a igreja e a família contribuem e alimentam essa condição feminina na dimensão cultural, alimentando e estruturando tais opressões cotidianas

Portanto, a fim de combater o preconceito ante ao aleitamento materno no Brasil, no qual 47,5% das mães relatam já terem sofrido com tal descriminação, é necessário a promoção de políticas públicas por parte dos governos estaduais junto com as secretarias da mulher de palestras que tratem da problemática da hiper sexualização, além de, junto ao MEC, em nível nacional, acrescentar ao estudo curricular a desconstrução do patriarcalismo opressivo na sociedade. Assim, que possamos vir a tratar no dia a dia as mulheres com o respeito que tratamos personagens fictícios.