Aleitamento materno em questão no Brasil

Enviada em 24/04/2020

No reino animal, a capacidade de amamentar foi um grande marco evolutivo que surgiu com os mamíferos. Entre alguns animais dessa classe, como os orangotangos, a amamentação mostra-se valiosa até aos oito primeiros anos dos bichanos. Embora muito tenha se passado desde os primeiros mamíferos até o surgimento do Hommo sapiens sapiens e, então, até os dias atuais, nota-se que o aleitamento materno continua com caráter ímpar na formação das crianças. A partir disso, perceber a importância da amamentação bem como os empecilhos para seu pleno exercício.

Inicialmente, é inegável que a amamentação é fundamental para o desenvolvimento dos recém-nascidos e das mães. Isso porque, para as mães, o ato da amamentação pode reduzir complicações pós-parto, devido aos hormônios produzidos e liberados. Para os bebês, o leite materno é fundamental para uma nutrição completa e saudável, rica em anticorpos que ajudam na proteção contra inúmeras doenças. Exemplo disso são as recomendações da OMS, que preconizam a amamentação exclusiva nos 6 primeiros meses do bebê., ao afirmar o leite materno como sendo o único alimento necessário durante esse período.

Em contrapartida, percebe-se que estigmas sociais e preconceitos associados ao aleitamento materno acabam por frenar, e muito, o ato de amamentar. Tal situação acontece porque as mulheres são constantemente bombardeadas com informações e tendências, sem embasamentos científicos, que visam ditar os certos e errados desse processo tão íntimo e necessário. Consequentemente, sobrecarregadas com tais cobranças sociais, as mães restringem o aleitamento de inúmeras formas: apenas nos 2 primeiros meses, exclusivamente em horários pré-estabelecidos, nunca em lugar público. Prova disso são os resultados da Pesquisa Global sobre Aleitamento Materno, realizada em 2015, os quais mostram que aproximadamente 50% das mulheres brasileiras entrevistadas já foram criticadas por amamentar em local público e quase 20% consideram errado.

Dessa forma, é imprescindível a adoção de medidas para que o aleitamento ocorra na sua plenitude. Para tanto, é imperativo que o Ministério da Saúde, já que tem o dever de salvaguardar a saúde e bem estar da população, associado à Secretaria de Publicidade e Promoção, por tratar das propagandas direcionadas aos cidadãos, crie campanhas para orientar e estimular a amamentação. Isso deve ser viabilizado por meio de propagandas nos diversos meios de comunicação, como TV e internet, a fim de que as mães estejam cada vez mais preparadas para lidar com os desafios da amamentação, sejam eles biológicos ou oriundos da pressão social. Assim sendo, o aleitamento materno continuará expressando sua valiosa importância por muito mais tempo.