Aleitamento materno em questão no Brasil

Enviada em 18/04/2020

O documentário “Renascimento do parto” mostra a importância da primeira amamentação dos recém–nascidos na conexão entre mãe e filho, além de fornecer anticorpos e nutrientes. Nesse sentido, o aleitamento é essencial à saúde do bebê e reduz risco de doenças como obesidade, diabetes e hipertensão. Portanto, são necessárias maior conscientização sobre os benefícios de amamentar e infraestrutura pública  que possibilite tal processo aos brasileiros.

De início, o incentivo ao aleitamento materno, pelo período mínimo recomendado pela OMS, perpassa a divulgação massiva de informações sobre a importância de tal ação no Brasil e como mantê-la. Isso porque, muitas vezes, não é de domínio popular que o leite materno é suficiente ao neonato até seu sexto mês, não sendo preciso, portanto, outras formas de alimentação complementares, como vegetais ou água nesse primeiro semestre. Atrelado a isso, faltam informações sobre como proceder diante dos eventuais problemas que surjam nesse período: muitas dores nas mamas, diminuição na quantidade de leite. Assim, muitas famílias, sem informações necessárias, acabam por desistir; prova disso é que - de acordo com OMS - cerca de 60% das brasileiras não conseguem manter apenas o aleitamento até o sexto mês. O que prejudica a saúde do bebê.

Em segundo lugar, outro empecilho ao aleitamento materno é a falta de infraestrutura pública que forneça as condições necessárias a tal processo. Isso advém da incompatibilidade entre a demanda biológica do bebê e as cobranças do mercado de trabalho, isto é, o Estado não cria políticas que garantam a presença materna até o sexto mês: a licença à maternidade, no Brasil, dura apenas quatro meses e as mães autônomas não têm auxílio governamental. Assim, o aleitamento adequado se torna extremamente difícil. Essa realidade de sujeição do indivíduo é analisada por Karl Marx, o qual afirma que cada um constrói seu caminho, porém sempre são limitados por condições externas herdadas socialmente, ou seja, mesmo que as famílias queiram amentar até os seis meses, as exigências econômicas impossibilitam tal ação, o que futuramente traz prejuízos à saúde do brasileiro.

Em suma, diante da importância do aleitamento, é preciso que as Secretarias de Saúde de cada cidade façam planos de acompanhamento gestacional do nascimento até o primeiro ano, isso por meio da visita mensal de agentes de saúdes às casas das mulheres grávidas, levando informações e cartilhas sobre aleitamento, gravidez, pré-natal, a fim de divulgar conhecimentos que incentivem a amamentação adequada. Somado a isso, o Governo Federal deve criar programas de auxílio às mães por intermédio da ampliação da licença à maternidade do pai e da mãe e da disponibilização de 2 salários mínimos às mães que trabalham no mercado informal ou são de baixa renda.