Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 23/04/2020
Durante o período colonial brasileiro, a figura da ama de leite era bastante presente para amamentar os bebês das mães brancas que não dispunham de leite próprio. Nos dias atuais essa função não existe mais — já que não há mais escravidão no país — e muitas mães ainda são impossibilitadas de aleitar pelos mais diversos motivos, tornando o aleitamento materno um grande desafio para as mães no Brasil. Tal dificuldade decorre de pressões externas sofridas pelas amamentadoras e traz consequências graves para o desenvolvimento da criança.
A princípio, é possível afirmar que o que mais desafia a amamentação materna são as pressões externas, como a volta ao trabalho, a interferência no padrão do corpo da mãe e o preconceito. Isso ocorre por motivos evidentes, as mulheres só possuem 4 meses de licença no trabalho — im-possibilitando o aleitamento exclusivo nos 6 primeiros meses —, elas escutam das mais diversas fontes que dar de mamar deforma seu corpo e o motivo de mais peso é o preconceito ao amamentar em público. A título de exemplo têm-se os dados divulgados pelo site de notícias G1, os quais evidenciam que 47,5% das mães brasileiras já sofreram preconceito por amamentar em locais públicos. Essa realidade é absurda, visto que, alimentar um bebê é algo vital e natural, sendo assim, é um ato que deveria ser digno de respeito e de apoio às mães e às crianças.
Como consequências desses desafios gerados pelas pressões externas nas mães brasileiras, têm-se os prejuízos no desenvolvimento da criança nas mais diferentes áreas, que vão desde a nutrição física até o progresso emocional e intelectual. Prova disso são informações divulgadas pela OMS (Organização Mundial de Saúde), as quais mostram que a amamentação previne doenças, fortalece o sistemas imunológico, fortalece o desenvolvimento físico e intelectual do bebê e amplifica o vínculo entre a mãe e o filho. Essa situação também é expressa no filme “De peito aberto”, que além de mostrar os desafios das mães para amamentar, também mostra relatos de mães que declaram que possuem uma relação de proximidade maior com os filhos que tiveram mais tempo de aleitamento, confirmando, então, que a amamentação interfere no emocional da mãe e, principalmente, do bebê.
Fica claro, portanto, que as pressões externas geram consequências negativas para o aleitamento materno no Brasil. Logo, é necessário que o Ministério da Saúde aumente o tempo de licença maternidade para 6 meses, no mínimo, e por meio da mídia conscientize à população instruindo sobre o tempo mínimo necessário de amamentação — 6 meses — e internalizem nos cidadãos que amamentar é algo natural e que não há motivos para preconceitos, tanto referentes ao aleitamento em público, quanto para a falsa deformação do corpo feminino, para que os índices de amamentação aumentem.