Aleitamento materno em questão no Brasil

Enviada em 21/04/2020

Segundo a socióloga alemã Hannah Arendt, a sociedade induz o mal banal de tal forma que o normatiza, o que gera um sentimento de aversão e preconceito à coisas que, à princípio, eram naturais. Trazendo para o contexto brasileiro, é perceptível a construção de um tabu sobre tudo que envolve o corpo feminino - como se pode ver no caso do aleitamento materno - o que fomenta as pilastras patriarcais da população. Dessa forma, é essencial compreender os aspectos que tangem a gênese do comportamento machista dos indivíduos e as consequências biopsicossociais que geram no meio.

Em primeira análise, é imprescindível entender a origem desses tabus e o que causa a perpetuação do machismo na sociedade. Assim sendo, segundo o sociólogo francês Pierre Bourdieu, os agentes tendem a interiorizar os preconceitos presentes no habitus, estrutura-los dentro de si e, então, exterioriza-los, sendo, portanto, uma relação dialética entre o indivíduo e o meio. Sabendo disso, é perceptível que ainda há um moralismo sem fundamento e uma ignorância no ideal da população sobre o aleitamento materno no Brasil, o que se une a uma vulgarização do corpo feminino, causando diversos problemas sociais e contribuindo para a persistência de ideais patriarcais.

Em segunda análise, é necessário frisar a importância do aleitamento materno e os danos que essa vulgarização do corpo feminino - a qual tem raízes misóginas - podem causar à saúde e ao bem estar dos indivíduos. Sabendo disso, segundo o sociólogo brasileiro Antônio Cândido, o homem está dotado de uma contradição humana, em que há uma grande racionalidade técnica, porém, há também uma máxima irracionalidade nas relações sociais. Analogamente a ideia do pensador, é visto que na sociedade contemporânea há um forte julgamento sobre a amamentação, o que é extremamente prejudicial à saúde do bebê e da mãe, além de contribuir para uma sexualização exacerbada do corpo feminino, que objetifica e perpetua ideais machistas.

Portando, é necessário compreender a importância do aleitamento materno e gerar formas de naturaliza-lo. Cabe, então, aos centros educacionais instruir seus docentes - principalmente os de biologia e sociologia, haja visto seus conhecimentos prévios sobre o assunto - a criar aulas e palestras direcionadas ao esclarecimento do assunto e a necessidade da amamentação, visando educar os alunos sobre seu próprio corpo e naturalizar a amamentação e tudo o que o envolve, além de, com isso, desconstruir ideias machistas persistentes no meio. Assim, a população será capaz de diminuir a contradição humana, racionalizar as relações sociais e, então, acabar com as pilastras patriarcais.