Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 18/04/2020
Segundo dados da pesquisa “Prevalência do Aleitamento Materno nas Capitais Brasileiras”, realizada pelo Ministério da Saúde, a média do aleitamento materno exclusivo subiu de vinte e três para cinquenta e quatro dias em 2008. Apesar dos avanços, o país ainda está longe de alcançar os indicadores, haja vista que a Organização Mundial de Saúde (OMS) preconiza cento e oitenta dias de amamentação. Desse modo, dificuldades na amamentação e o preconceito machista contra o ato de amamentar em público contribuem com a manutenção desse quadro preocupante no Brasil.
Em primeira análise, é inegável que a maioria das mulheres encontra alguma dificuldade para amamentar. Segundo pesquisa encontrada na Revista Crescer, as principais dificuldades relacionadas à amamentação são dor (21%), incômodo ao acordar durante a noite (20%), frequência (14%) e falta de informação (11%). Nesse viés, os presentes entraves enfrentados pelas mães brasileiras, na contemporaneidade, dificultam suas experiências com a amamentação e as desmotivam, o que faz com que elas amamentem cada vez menos. Ademais, as mães, influenciadas pelas propagandas das grandes indústrias fabricantes de leites, que pregam a equivalência nutricional entre o produto artificial e o leite materno, substituem o peito pela mamadeira para alimentar seus bebês de forma mais conveniente. Enfim, a cultura da amamentação, cada vez mais impopular, acarreta uma insuficiente oferta de nutrientes para o bebê e, consequentemente, afeta o seu desenvolvimento físico e cognitivo.
Em segunda análise, conforme pesquisa publicada pelo Grupo Verde Vale de Comunicação, embora sessenta e cinco por cento dos brasileiros acreditem que amamentar em público é algo perfeitamente normal, quarenta e oito por cento das mulheres afirmam já terem sofrido preconceito por isso. Esse contexto paradoxal pode ser justificado pela teoria da objetificação machista do corpo feminino, da filósofa francesa Simone de Beauvoir, que associa o seio feminino a um órgão sexual e a um símbolo de desejo pela sociedade. Assim, a desaprovação, que critica as mães por exposição de seus corpos e “atentado ao pudor”, implica que muitas delas fiquem envergonhadas e procurem locais isolados, quando deveriam ficar à vontade para amamentar em qualquer lugar e nutrir os seus bebês.
Por fim, é evidente que dificuldades na amamentação e o seu preconceito são desafios quanto ao aleitamento materno no Brasil. Logo, cabe ao Ministério da Saúde incentivar a amamentação e combater o preconceito contra esta prática em público, por meio de campanhas publicitárias, na imprensa televisiva e nas redes sociais, que esclareçam as mães sobre a importância do leite materno e conscientize a população acerca disso, ao trazer atores famosos para desconstruir tabus e representar simulações do cotidiano, a fim de atingir os índices de aleitamento preconizados pela OMS.