Aleitamento materno em questão no Brasil

Enviada em 23/04/2020

Do ponto de vista biológico, o leite materno é um alimento rico em proteínas e vitaminas, por exemplo, que trata-se da principal fonte de nutrição dos recém-nascidos. Contudo, no Brasil, a prática do aleitamento materno é prejudicada por inúmeros processos, dos quais destacam-se: a falta de estrutura em locais públicos e a ausência de versatilidade das empresas.

Em primeiro lugar, é necessário compreender a estrutura física dos ambientes coletivos como um empecilho para  processo de amamentação. De acordo com o sociólogo alemão Karl Marx, o homem é construído com base nos legados que são transmitidos ao longo das gerações. Desse modo, é notório que a ausência de espaços adequados para as mães alimentarem os seus filhos trata-se de um problema socialmente e historicamente construído. Isto é, ao longo dos anos, barreiras e preconceitos foram formulados ao redor da figura feminina e isso inclui, a maternidade. Portanto, a sociedade não tem consciência da importância do aleitamento e de fornecer um cenário correto para essa prática; sendo assim, essa mentalidade torna-se um fator que tem como consequência direta a falta de estrutura para que as mulheres alimentem os seus filhos em locais comunitários.

Em segundo lugar, é importante salientar o papel do mercado de trabalho como um agente acelerador do processo de desmame. Segundo Zigmunt Bauman, sociólogo polonês, vivemos uma modernidade líquida na qual as relações humanas tornam-se cada vez mais individualizadas e as pessoas passam por um processo de mercantilização, ou seja, são tratados como mercadoria. Esse cenário é ainda mais duro para as mães durante o processo de amamentação. Pois elas voltam para uma rotina incompatível com as necessidades dos seus filhos após o período de licença maternidade, visto que não existe uma visão humanizada por parte das empresas, ou seja, a figura materna é vista apenas como mais um item do mercado. Em outras palavras, o empregador não oferece para essas mulheres uma maior flexibilidade da sua rotina de trabalho e nos seus horários, bem como não disponibiliza ferramentas que possibilitem a realização de atividades em casa.

Logo, é notório a complexabilidade das questões em torno da amamentação no Brasil. Portanto, cabe ao governo a criação de leis que regulamente os locais públicos. Esses leis devem conter artigos que tornem obrigatório a construção de espaços adequados para a amamentação, tendo como finalidade evitar constrangimentos e facilitar o aleitamento materno. Ademais, as empresas públicas e privadas devem fornecer opções de flexibilização das rotinas de trabalho. Esse processo deve ocorrer por meio de mudanças nos horários e no fornecimento de ferramentas para o “home office”, tendo como objetivo evitar o desmame. Assim, os filhos poderão receber a nutrição correta para o seu desenvolvimento.