Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 23/04/2020
O aleitamento materno é a forma mais segura e eficaz de alimentar um bebê e garantir que este receba todos os nutrientes de que o organismo precisa. Segundo a Organização Mundial de Saúde - a OMS, a amamentação exclusiva é fundamental para a saúde do bebê nos seis primeiros meses de vida e o Brasil, apesar de estar longe dos patamares ideais, é considerado referência mundial de conscientização acerca do aleitamento materno exclusivo.
Conforme dados apresentados pela UNESCO, o Brasil é um dos países que mais tem consciência da importância da amamentação, mesmo possuindo números discretos - apenas 36,6% dos bebês com até seis meses de vida recebem exclusivamente o aleitamento materno. Tal fato acontece devido aos diversos fatores que servem como empecilho para a plena amamentação da criança, que vão desde às dores sentidas pelas genitoras até a questão do preconceito e “tabu” na sociedade quanto à amamentação realizada em espaços públicos.
Muito embora exista uma romantização da amamentação, apresentada como um momento sublime, especial e prazeroso na relação entre mãe e filho, um dos maiores óbices do crescimento nos índices de aleitamento materno é justamente a dor que as mães sentem durante o ato. A falta de informação e orientação nos hospitais brasileiros sobre como realizar este procedimento acaba gerando sérios traumas nas mulheres lactantes, acarretando muitas vezes no desmame precoce e na substituição do leite materno por alimentos inadequados para o bebê.
Outro fator que chega a ser nocivo para a amamentação é o preconceito da sociedade quando aquela é realizada em espaço público. A visão deturpada de boa parte da população brasileira sobre o ato natural de alimentação da criança acarreta em grandes constrangimentos para a mulher que, para evitar tal desgaste psicológico e não deixar o filho com fome,opta por fórmulas e leite industrializado.
Nesse sentido, é imprescindível que haja uma atuação maior das autoridades governamentais por meio de campanhas incentivando o aleitamento materno exclusivo nos primeiros meses de vida, tanto de forma publicitária nas mídias sociais, como também em institutos educacionais e nos programas de pré-natal, durante a gravidez para que atinja a maior quantidade possível de gestantes e gere resultados benéficos no pós-parto. Outrossim, é justo recordar que o próprio Estatuto da Criança e do Adolescente infere que é um direito da criança e dever do governo e demais instituições garantir ambientes propícios para o aleitamento materno exclusivo, sendo de fundamental relevância que haja, além de campanhas midiáticas conscientizando acerca da naturalidade de amamentar em espaços públicos, a criação por estas instituições de tais ambientes preconizados na legislação.