Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 20/04/2020
O mito de Rômulo e Remo conta a história de duas crianças que foram adotadas pela loba Capitolina que as amamentou. Esse ato foi fundamental para a sobrevivência dos dois futuros herdeiros do trono romano. Analogamente ao tablado ficcional, o aleitamento é imprescindível para o pleno desenvolvimento humano, sobretudo nos primeiros seis meses de vida. Porém, ele se encontra em “xeque” na atualidade, devido á substituição industrial do leite e ao tabu relacionado ao aleitamento materno, ainda em vigor na sociedade moderna brasileira.
Primeiramente, de acordo com o cientista Charles Darwin, a formação do ser humano, distintamente de outros mamíferos, não se completa integralmente no útero, sendo inerente ao recém-nascido os cuidados da progenitora, principalmente na questão do aleitamento. Ou seja, o leite materno, além da nutrição, proporciona à criança, ainda em desenvolvimento, componentes imunológicos considerados pela ciência como a primeira vacina. No entanto, a industrialização desse alimento subtrai esses compostos que fortalecem a formação de anticorpos no recém-nascido e promove a propensão à obesidade. Segundo a Organização Mundial de Saúde, cerca de 12% das crianças alimentadas com leite não natural são obesas aos 8 e 9 anos de idade.
Além disso, a sociedade brasileira vive em um contexto de machismo velado, em especial na questão do “dar de mamar”. Esse preconceito instalado no Brasil quanto à amamentação, especialmente em locais públicos, torna-se um impedimento à liberdade individual da mulher e, principalmente, para a nutrição da criança. Dessa forma, o aleitamento é restringido a um determinado espaço privado. Tal empecilho coíbe a livre circulação do publico feminino em aleitamento, ferindo a Constituição Federal de 1988, no Artigo quinto. Com isso, a amamentação entra em questão na sociedade brasileira.
Portanto, é imprescindível que os órgãos governamentais brasileiros estimulem o aleitamento materno. Assim, é necessário que o Ministério da Saúde incentive a amamentação natural da criança, por meio de campanhas publicitárias (distribuição de panfletos, ministração de palestras e aconselhamento pessoal) que visem a exposição de informações acerca da importância nutricional do recém-nascido. Ademais, a Mídia, por meio de comerciais televisivos, novelas e documentários, deve desestimular qualquer ato que reprima a mulher em aleitamento, com o intuito de assegurar as liberdades individuais, além de proporcionar a boa alimentação da criança e seu pleno desenvolvimento, proposto por Darwin.