Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 24/04/2020
Desde o início da humanidade, o leite materno desempenha uma função essencial na alimentação do recém-nascido. Porém, apesar da amamentação ser um processo biológico comum às mulheres, é fundamental que o parceiro auxilie no processo em prol de garantir o bem-estar feminino em um momento tão importante para a conexão do laço materno-infantil, além de ser necessário o rompimento dos tabus sociais relacionados ao ato de amamentar, já que é errôneo e comum associar algo tão natural à vulgarização de práticas carnais, o que pode ser explicado de acordo com a ‘‘banalização do mal’’ da filosofa Hanna Arendt, em que a sociedade por estar imersa em valores preconceituosos acaba reproduzindo-os.
A etapa inicial do aleitamento é repleta de desafios e, geralmente o sexo feminino sente-se desgastado não só pelo processo do parto, mas também pela carga emocional no ato de inserir o leite materno ao hábito do recém-nascido. Isso se dá, devido a importância da amamentação para ampliar o sistema imunológico da criança, além de ser uma prática recomendada pela Organização Mundial da Saúde. Assim, é evidente que para o processo ser consumado no hábito nutritivo do bebê, torna-se fundamental o auxilio paterno em dar suporte emocional e físico para a mãe e a criança, sendo assim, em uma diminuição de pressão psicológica aplicada na lactante. No entanto, devido a realidade brasileira, nem sempre é possível a presença paterna nos cuidados da criança o que traz à tona um dos principais motivos para o ‘‘desmame’’ antes dos seis meses.
Outro desafio que leva à dificuldade no aleitamento é o esteriótipo do ato em público, o que deságua em situações constrangedoras para as lactantes. A partir disso, é possível se dar conta que o Brasil perpetua valores controversos com a realidade, pois, torna o seio um objeto apenas de cunho sexual ao invés de atribui-lo como algo projetado para os mamíferos alimentarem a sua prole, trazendo dessa maneira, a necessidade urgente do desmanches de tabus sociais que se baseiam no pedido para o uso do ‘‘paninho’’ ou em muitos casos, no convite para que a mãe se dirija ao fraldário pra amamenta-lo.
Para que o aleitamento materno seja feito até os 6 meses do recém-nascido, é primordial que o Ministério da Saúde disponibilize nos pré-natais o aconselhamento de atos que contribuam para a amamentação no tempo ideal, como forma de orientar as mães. E ainda, é necessário que ocorra com urgência o desmonte de pré-conceitos enraizados na sociedade a partir da ação da mídia, configura da como corpo Docente por Mário Sérgio Cortella para que possibilite um canal de diálogo entre o governo e a sociedade, resultando dessa forma em debates informais entre as futuras mães de maneira que formante a ressignificação do ato de amamentar em público.