Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 21/04/2020
Não é de hoje que o aleitamento materno é questão no Brasil, contudo o fenômeno de amamentar tem sido alvo de preconceitos dentro, principalmente, de espaços públicos, o que favorece sua exibição pela mídia. Sendo assim, a desconstrução de tabús como esse é imprescindível, tendo em vista a importância da amamentação na fase inicial da vida e na formação de adultos saudáveis. Além disso, a ausência da alimentação balanceada advinda do leite materno pode gerar problemas relativos à desnutrição, formando indivíduos mais propícios a doenças como diarréia ou até câncer.
De início é relevante ressaltar a importância do aleitamento materno para formação plena da saúde dos indivíduos por nutrir, saciar a sede e prover a primeira proteção imunológica do recém-nascido. Ademais, de acordo com o psicanalista Sigmund Freud, além da importância nutritiva da amamentação, esta também tem função ligada à sexualidade, relativa à busca pelo prazer da sucção oral, e o simbolismo da proteção materna. Dessa forma, o papel da mãe, ainda na fase inicial da vida do bêbê, se dá em três aspectos essenciais da vida adulta: a saúde corporal, a emocional e a sexualidade. É indiscutível, portanto, que o aleitamento materno até os dois anos é fundamental, visando à construção de indivíduos fortes e saudáveis, magnificados no campo da afetividade e confiantes nas relações interpessoais.
Ademais, o tabú existente relacionado a amamentação em público, associada a inserção da mulher no mercado de trabalho, oficializada na Constituição de 1932, promoveu a terceirização das funções maternas na infância do bêbê. Tal afastamento, no qual outros familiares são responsabilizados pela alimentação do recém-nascido, aliado à falta de doação de leite materno aos bancos de armazenamento, muitas vezes, por desconhecimento, dificulta o acesso a essa fonte de substâncias essenciais à vida. Dessa maneira, o desmame precoce prejudica a saúde do indivíduo, ao passo que aumenta o risco de obesidade e diabetes, o que favorece a mortalidade infantil que, segundo a Organização Mundial da Saúde, cai um terço com a amamentação adequada.
Nota-se, por fim, a importância do aleitamento materno na edificação do indivíduo. Contudo, para potencializar esse aleitamento, o Ministério da Saúde, aliado ao Ministério da Educação e o SUS, deve promover uma formação continuada de profissionais de saúde, através da criação de cursos especializados na instrução de mães quanto a forma correta de amamentação e informação de seus benefícios. Além disso, a mídia deve atuar na propagação de campanhas de recolhimento de leite materno nos hospitais, objetivando ao aumento do banco desse líquido que agrega na vida do recém-nascido. Assim, o aleitamento materno seguro promoverá uma sociedade integralmente saudável.