Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 24/04/2020
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o leite materno deve ser o alimento exclusivo do bebê de até seis meses de vida e deve seguir aliado à alimentação até os dois anos. No entanto, infelizmente, no Brasil, devido à falta de instrução sobre a importância do aleitamento e ao preconceito sofrido por mulheres que amamentam seus filhos em público, ainda é muito reduzido o número de mães que seguem as recomendações dos médicos e especialistas no assunto.
Primeiramente, é válido destacar que, segundo divulgado pela Unesco, apenas 36,6% das crianças são alimentadas apenas com leite materno até os seis meses de idade. Esse número tão reduzido advém da falta de divulgação adequada acerca do tema, que só atinge uma pequena parcela da população por se restringir majoritariamente a matérias publicadas em plataformas específicas, como jornais e sites especializados em saúde e acaba por ter um alcance mínimo de pessoas informadas. Além disso, um grande obstáculo para a manutenção do aleitamento é a insegurança gerada pela falta do conhecimento prático sobre como proceder do modo correto no momento da amamentação de modo a gerar menos incômodo e tensão nas lactantes, que deveriam ser acompanhadas por doulas, profissionais responsáveis por auxiliar as mães durante e após a gravidez, incluindo a fase de lactação. Em segundo lugar, outro fator decisivo para as mulheres manterem ou não a oferta de leite materno ao bebê pelo período ideal é o julgamento sofrido quanto à questão do aleitamento em locais públicos. Esse preconceito é decorrente da sexualização do corpo feminino, o qual é sempre visto como um objeto sexual e, portanto, não deve ser exposto, nem sequer com o intuito de alimentar uma criança, fato relacionado à teoria do filósofo Michel Foucault sobre a docilização dos corpos. Para o pensador, as pessoas são submetidas a um modo de pensar dominante e devem agir estritamente de acordo com as normas impostas, sob pena de punição pela própria sociedade. No caso da lactante, devido à “regra” vigente, o seio aparente seria uma agressão à moral, que não permite a exibição feminina e, portanto, deve ser punida com a reprovação social, constrangendo a mulher e desestimulando o aleitamento.
Tendo em vista tal quadro, medidas são necessárias para revertê-lo. É preciso que o governo estimule a manutenção do aleitamento, através de palestras com especialistas no assunto em regiões que abarquem um grande número de pessoas, instruindo acerca da importância do leite materno na saúde infantil e de métodos para facilitar a lactação, de modo que as recomendações da OMS sejam seguidas sem incômodos para as mães. Também é essencial a promoção da mídia na quebra da lactação como tabu, através de campanhas virtuais e televisivas para conscientizar sobre a importância e naturalidade desse gesto, a fim de que as mulheres sejam respeitadas ao amamentar em público.