Aleitamento materno em questão no Brasil

Enviada em 22/04/2020

Para a Biologia, a amamentação é uma das características evolutivas mais importantes dos mamíferos, pela facilidade em se obter alimento. Ao trazer esse contexto para o tablado social, no Brasil, observa-se que existe uma forte solidariedade entre as mulheres para compartilhar o leite materno. Entretanto, também há um forte tabu no que diz respeito à amamentação em público, e isso precisa ser combatido.

A priori, de acordo com o geógrafo Josué de Castro, o mapa da fome do Brasil é mais um problema político do que relacionado à fatores climáticos e produtivos. Ao trazer isso para o contexto do aleitamento materno no Brasil, é possível observar que as mulheres “contornaram” essa problemática ao amamentarem os filhos das outras em caso de necessidade. Essa realidade só pôde se concretizar graças à empatia social, adquirida na necessidade de superar uma situação. Entretanto, existe a possibilidade de passar doenças para o bebê durante a amamentação, e como consequência disso, é necessário que haja uma ampliação da atuação do Banco de Leite na sociedade brasileira para que tenha um menor número de contágio dessas enfermidades.

Ademais, na sociedade brasileira existe um forte repúdio quanto à amamentação em público, considerado um tabu por muitas pessoas. Sob essa ótica, a filósofa Simone de Bovoir, “a liberdade não deve existir de uns contra outros, mas sim de todos em harmonia”. Dessa forma, é possível observar que a sociedade impõe o comportamento que a mulher deve ter no que diz respeito à amamentação dos filhos. Ademais, esse tipo de ideologia fere um dos maiores símbolos do empoderamento feminino que é justamente poder amamentar um filho em púbico, além de que realizar esse ato natural e de afeto não se caracteriza como uma ofensa a ninguém.

Conclui-se, portanto, que o Estado precisa ampliar a ação do Banco de Leite na sociedade brasileira. Isso deve ser feito por meio de investimentos na área da propaganda, incentivando a doação, além da construção de novos estabelecimentos em locais mais afastados dos grandes centros urbanos. Como consequência disso, haverá uma menor transmissão de doenças pelo aleitamento materno. Ademais, grupos feministas devem conscientizar a população quanto à amamentação em público através de campanhas socioeducacionais em todos os meios de comunicação, mediados por sociólogos e profissionais da área dos Direitos Humanos. O resultado disso será um menor preconceito quanto ao aleitamento materno em locais comuns, e obrigatoriamente uma maior liberdade para as mulheres no geral.