Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 20/04/2020
Segundo recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), um recém-nascido deve ser nutrido por meio de amamentação até os 2 anos de idade. No entanto, no Brasil e no mundo, as pessoas responsáveis pela lactação são desencorajadas devido ao preconceito e à sexualização que sofrem. O estímulo ao aleitamento é de extrema importância para ambas as partes da geração da criança, e pode trazer muitas vantagens, social e biologicamente.
Primeiramente, do ponto de vista biológico, é preciso reconhecer os benefícios do leite natural e humano para o bebê. Este possui todos os nutrientes dos quais o recém-nascido necessita até os seus 6 meses de idade, e segundo a UNICEF, manter esse leite como o único alimento durante o primeiro semestre de vida é uma ação que salva cerca de 6 milhões de crianças por ano. Entre outras coisas, o leite humano possui milhões de células vivas, inclusos glóbulos brancos que atuam na produção de anticorpos e na fagocitose de organismos invasores. Além disso, apresenta também todos os 5 tipos básicos de imunoglobina existentes. Isso significa que a ingestão do leite humano fortalece o sistema imunológico do bebê. Para quem o traz à luz, a produção de ocitocina devido ao contato com o filho ajuda na eliminação mais rápida da placenta, diminui os riscos de anemia por deficiência de ferro e atua como anti-depressivo. Assim, vê-se que os benefícios da amamentação são mútuos.
Considerando o ponto de vista social, é evidente o preconceito em torno da aleitação, nascido da sexualização do corpo considerado feminino e do escanteio dos deveres associados às mulheres, como o cuidado com os filhos. Em março de 2018, uma postagem de Natalie Hoflin, atriz australiana, se tornou viral nas redes sociais. Em seu relato, ela conta que recebe muitos comentários feitos em tom de julgamento e desaprovação quando está amamentando em público. Em uma reportagem do Estadão realizada em 2017, Rafaella Ferraz afirma que mais de uma vez já foi coagida a sentir vergonha por estar realizando o alactamento, orientada a se dirigir a banheiros para não “atrapalhar os clientes” dos locais que frequentava. A amamentação é um direito garantido por lei para ambos: o bebê e a pessoa que o pariu; portanto, danos morais causados pelo preconceito relacionado à mama são puníveis pela lei e cada estado tem o dever de garantir a segurança e o conforto das pessoas que aleitam.
Dessa forma, conclui-se que o estímulo à amamentação é imprescindível, tanto da parte social quanto da biológica. É preciso que o Estado do Brasil dissemine a conscientização em torno do tema por meio de informes públicos na televisão e nas redes sociais, a fim de que as pessoas possam conhecer seus direitos e cobrá-los devidamente, assim como ter acesso a informações precisas e verídicas sobre a lactação que permitam uma gerência adequada da saúde infantil.