Aleitamento materno em questão no Brasil

Enviada em 23/04/2020

Segundo Henrietta Fore, diretora executiva da UNICEF, a amamentação salva vidas. É indubitável que o aleitamento materno é de suma importância para os mamíferos na sua fase incial de vida, possuindo diversos benefícios que ajudam a manter os bebês saudáveis não só em seus primeiros dias, mas, também, na idade adulta. Dentre esses, está o fato de contribuir para a imunização do indivíduo junto ao combate a obesidade infantil.

A princípio, a OMS (Organização Mundial da Saúde), recomenda amamentação exclusiva por pelo menos os seis primeiros meses da vida do bebê. Nesse ínterim, é incontrovertível que a alactação é indispensável nos primeiros dias de vida de um indivíduo, principalmente porque o leite é rico em carboidratos, proteínas e outras substâncias que são necessárias ao bom desenvolvimento do lactante. Desse modo, o leite serve como uma forma de imunização que protege contra uma grande variedade de doenças e infecções. Entretanto, no Brasil, há um tabu no tocante ao aleitamento em locais públicos, o que é um fator que constrange e limita muitas mães a exercerem sua liberdade de amamentar, sendo isso um fator de atraso que contribui para a inércia da sociedade brasileira.

Ademais, conforme Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA), de Portugal, crianças amamentadas por menos de 6 meses apresentam um risco 12% maior de serem obesas do que aquelas que foram amamentados por mais tempo. Nesse sentido, há uma ligação entre a duração do aleitamento materno e sua natureza protetora contra a obesidade, sendo isso um fator de contribuição para boas condições da saúde na primeira infância. No Brasil, apesar de o país possuir uma complexa Rede de Bancos de Leite Humano (rBLH), o Ministério da Saúde afirma que cerca de 45% das crianças que necessitam dessa importante substancia não são atendidas. Dessarte, as mães que possuem dificuldades no processo de amamentação acabam optando pelo uso de fórmulas que, apesar de nutritivas, não possuem a mesma funcionalidade do leite materno.

Em suma, medidas fazem-se necessárias no tocante ao aleitamento materno no Brasil. A princípio, o Estado, por meio do Ministério da Saúde, deve criar, nas escolas e universidades, palestras que atentem para a importancia da alactação materna e desconstruam o tabu dessa prática no meio público, com a presença de médicos e professores, para que essa seja naturalizada. Somado a isso, a mídia deve atuar em conjunto com o Estado, na criação campanhas que propaguem a importancia da doação de leite materno, para que os bancos consigam distribuir essa substância as mães que possuem dificuladade de amamentar, contribuindo, assim, para a promoção da saúde no país. Dessa maneira, o aleitamento materno cumprirá seu papel de salvar vidas, conforme defendeu Henrietta Fore.