Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 23/04/2020
O quadro artístico “liberdade guiando o povo” retrata uma relação entre o contexto revolucionário francês com o sentido emancipatório, por meio de uma figura feminina pintada com os seios despidos. Na contemporaneidade, essa perspectiva libertária do corpo da mulher representa um debate quanto ao aleitamento materno em questão no Brasil. Isso é fruto da permanência de um ideário retrógrado preconceituoso de que a amamentação em público simboliza um atentado ao pudor, bem como é resultado de uma carência científica esclarecedora sobre o potencial benéfico dessa ação.
De antemão, percebe-se que a manutenção de um ideal preconceituoso voltado para a afirmação de que o aleitamento materno em público simboliza um atentado ao pudor revela um considerável impasse em questão no país. Nessa ótica, é possível relacionar a teoria do filósofo John Locke a esse contexto, visto que nela é afirmado que o corpo é uma propriedade privada de responsabilidade única de seu possuidor. Nessa perspectiva, fica evidente a afirmação de que o ato de expor a mama na prática amamentadora é um direito natural maternal que deve se sobrepor à realidade da permanência de uma visão retrógrada na sociedade, de modo que esse percalço seja combatido pela demonstração da emancipação feminina na ação pública nutritiva.
Além disso, infere-se que a carência de uma ciência esclarecedora sobre a potencialidade benéfica do aleitamento materno para a vida do bebê representa outro debate desse contexto na nação. Nesse âmbito, salienta-se que pelo conhecimento científico é possível adquirir a noção de que o leite maternal potencializa o sistema imunológico do recém nascido, fato que previne inúmeras doenças. Nessa lógica, torna-se evidente que essas informações qualitativas não chegam de forma eficaz para todas as mães brasileiras, devido à negligencia governamental no tocante a divulgações de campanhas conscientizadoras sobre a importância da amamentação, afirmação reveladora da sobreposição da ignorância ao direito biológico na sociedade.
Portanto, para que o aleitamento materno seja uma garantia, cabe ao poder Legislativo findar o ideal retrógrado preconceituoso, criando leis que punam, reclusoriamente, indivíduos que exerçam o menosprezo da amamentação pública. Também, é dever do Ministério da Saúde combater a carência de conhecimento científico das mães brasileiras, por meio de comerciais televisivos que enalteçam os benefícios biológicos do ato de amamentar para o bebê. Essas ações são essenciais para que o preconceito e a ignorância nesse âmbito sejam combatidos.