Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 23/04/2020
No período colonial brasileiro, as “amas de leite” eram as escravas que amamentavam os bebês alheios quando, por algum motivo, as mães biológicas não podiam fazê-lo. Porém, atualmente, os motivos que levam as genitoras a não amamentarem são conhecidos. O preconceito e as indústrias lácteas infantis se tornaram as maiores razões pelas quais as lactantes brasileiras vêm parando de amamentar.
De início, nota-se a alarmante intolerância presente na sociedade quanto a amamentação em público. Já que, segundo a Pesquisa Global sobre o Aleitamento Materno, realizada em 2015, 47% das brasileiras já sofreram preconceito ao amamentar em público, enquanto a média mundial é de 18%. Isso demonstra que falta ao Estado conscientizar a sociedade. Pois uma mãe pode sentir o desejo de alimentar seu filho, mas o receio de ser criticada em público a inibe. Esse quadro fortalece a teoria psicanalítica de Sigmund Freud, uma vez que, segundo esse pensador o indivíduo vive em conflito entre seus impulsos inconscientes e a consciência dos limites sociais que o cercam.
Outrossim, cabe pontuar que a Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que o leite materno possui inúmeros benefícios nutricionais e imunológicos para o bebê. Entretanto, no Brasil apenas 39% dos bebês de até 5 meses possuem alimentação composta exclusivamente por essa fonte nutritiva. Esse fato se dá pelo advento das indústrias lácteas infantis. Pois, várias progenitoras ao aderirem à fórmulas infantis em busca de praticidade acabam privando seus filhos dos benefícios únicos do leite materno. Essa troca pode causar doenças, como, por exemplo foi comprovado em um estudo feito pela OMS o qual mostrou que as crianças que usam o substituto do leite natural, proveniente da genitora, têm 22% mais chances de serem obesas.
Levando-se em consideração esses aspectos, é imprescindível o empenho do Governo Federal, da sociedade e das indústrias. Sendo assim, as empresas em parceria com o Governo para incentivar o aleitamento e visando o fim do preconceito para com esse fator essencial para as crianças, poderiam criar projetos de divulgação periódica veiculados nas maternidades e na rede televisiva que informem a importância do leite materno para o desenvolvimento infantil, bem como as consequências da troca do leite da mãe pelo leite industrializado.