Aleitamento materno em questão no Brasil

Enviada em 18/04/2020

Durante o período colonial,no Brasil,as chamadas “amas de leite” eram escravas comercializadas para cuidar e amamentar os filhos de seus senhores,quando as mães estavam impossibilitadas,seja por questões médicas,seja pela barreira cultural. Atualmente,observa-se que a permanência dos entraves sociais contribuiu para a continuidade da terceirização desse prática,mas,diferentemente do século XIX,esse processo é marcado pelo substituição do leite materno por produtos industrializados. Tais obstáculos,que afetam a saúde das crianças,são caracterizados pelo preconceito da população com o ato de amamentar e a falta de informação dada às mulheres.

Primeiramente,é válido destacar que o julgamento social é um dos principais fatores responsável por desencorajar o aleitamento materno. Esse problema tem por base as heranças machistas da sociedade brasileira. Tal realidade está diretamente relacionada ao conceito de “Habitus” do sociólogo Bourdieu,segundo o qual o caráter do indivíduo é moldado pelos costumes e ideais característicos do meio em que vive. Nesse contexto,em uma sociedade marcada pela sexualização da figura feminina,a amamentação,principalmente em espaços públicos,não é vista como uma prática normal e importante para mãe e filho. Dessa maneira,por gerar constrangimento,essas ideias preconceituosas favorecem a desistência do aleitamento integral.

Ademais,é necessário citar que a falta de informação dada às mulheres contribui para o crescimento do desmame precoce. Esse cenário fica claro ao se analisar os dados fornecidos pela Organização Mundial da Saúde,de acordo com a qual,no Brasil,o leite materno é o alimento exclusivo de apenas 38% das crianças com até seis meses. Tal problema é oriundo da falta de orientação adequada,uma vez que muitas mães,mesmo reconhecendo a importância da amamentação,desconhecem a sua necessidade de permanência até,no mínimo,os seis meses do bebê,interrompendo,assim,o processo antes do recomendado. Essas ações podem gerar prejuízos à saúde dos recém-nascidos,pois o uso de fórmulas e produtos industrializados não atende a suas necessidades nutricionais e imunológicas.

Logo,para diminuir o desmame precoce,atitudes devem ser tomadas. Para isso,o Ministério da Saúde deve conscientizar a população sobre a amamentação,por meio de campanhas informativas,nos meios de comunicação,que esclareçam a importância desse ato e sua naturalidade,afim de superar o preconceito. Ademais,essa instituição deve direcionar as mães antes e durante o aleitamento. Isso pode ser feito por intermédio de acompanhamento médico e a criação de um canal de comunicação direta com esses profissionais e outras mulheres,em que haja apoio psicológico e a divulgação de orientações,para que assim seja incentivada a amamentação integral das crianças.