Aleitamento materno em questão no Brasil

Enviada em 21/04/2020

Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), é recomendável que até o sexto mês de vida a criança se alimente, exclusivamente, de leite materno e que esse alimento seja fornecido até, pelo menos, os dois anos de idade. Assim, deve-se analisar que o aleitamento materno tem grande importância para o desenvolvimento da criança, sobretudo para a saúde do bebê, e que essa prática enfrenta dificuldades, principalmente a objetificação da mulher presente no Brasil.

Em uma primeira abordagem, deve-se dizer que, de acordo com o filósofo Foucault, “o Homem é uma construção bio, psico e social”. Dessa forma, essas três esferas devem estar em harmonia para o pleno desenvolvimento humano. Nesse contexto, é imprescindível o aleitamento materno para as crianças, pois o leite materno tem todos os nutrientes fundamentais para o crescimento da criança, como vitaminas, proteínas, água e carboidratos. Além disso, esse alimento, também, fornece anticorpos da mãe o que promove o fortalecimento do sistema imunológico do bebê, protegendo-o de doenças e infecções. Nesse sentido, esse aleitamento é de extrema importância para a esfera biológica da criança e, consequentemente, para a manutenção da harmonia de Foucault.

Em uma segunda análise, deve-se falar que, segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente, é assegurado à lactante o direito de amamentar a criança em todo e qualquer ambiente público ou privado. Nesse sentido, as lactantes podem alimentar seus bebês onde elas se sentirem à vontade. Contudo, devido à cultura patriarcal presente no Brasil, a objetificação do corpo da mulher está presente de forma naturalizada na sociedade, ou seja, a mulher é vista, muitas vezes, como um mero objeto de prazer sexual. Nessa lógica, diversas pessoas, associam os seios, ao ato sexual, retirando dele sua função biológica. Dessa forma, muitos desses indivíduos acreditam que a amamentação em público é uma grave violação ao pudor e por isso humilham a lactante ou a forçam a se retirar do local, tolhendo, consequentemente, o direito dela de amamentar o seu bebê em qualquer ambiente.

Portanto, o aleitamento materno é de estrema importância para o desenvolvimento da criança. Assim, é necessário que o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos e o Ministério da Saúde conscientizem as pessoas da importância do aleitamento materno e do direito da amamentação em qualquer ambiente, além de desconstruir estereótipos presentes na sociedade sobre a objetividade do corpo feminino. Essas ações devem ser realizadas por meio de vídeos, os quais serão transmitidos nas redes sociais e semanalmente na mídia televisiva no horário nobre. Dessa forma, o direito da lactante não será tolhido, facilitando, com isso, que a recomendação da OMS seja realizada e, consequentemente, que o desenvolvimento biológico da criança não seja afetado.