Aleitamento materno em questão no Brasil

Enviada em 20/04/2020

A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), adotada pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 1948, garante a todo cidadão o direito à alimentação e vida digna. Dessa forma, o aleitamento materno é a primeira forma de alimentação a qual todo ser humano deve ser submetido para receber nutrientes e anticorpos, funcionando como uma vacinação primária. Todavia, no Brasil, mulheres são cada vez mais vítimas do julgamento social quando precisam amamentar o bebê, seja no âmbito laboral, ou em locais públicos devido tanto a visão capitalista que visa o lucro acima do bem-estar da mãe, quanto a banalização e romantismo do corpo feminino.

Primeiramente, é notório que as mulheres já alcançaram muitos direitos políticos e sociais desde o processo de formação de cidadania, porém ainda há resistência no que tange igualdade salarial e a empregabilidade feminina em empresas. Segundo a Consolidação de Leis Trabalhistas (CLT), o direito à licença maternidade e à amamentação é algo assegurado e deve ser cumprido em todas as organizações de trabalho, o que tem como objetivo proteger a mulher durante o período pós paro para que ela não fique sem salário. Apesar disso, a esfera privada é composta majoritariamente por homens (segundo pesquisas do Jornal Datafolha) e essa realidade existe porque empresas visam empresas visam apenas a produtividade e sabem que, se contratarem mulheres, podem ter o risco de ter que dar a ela o direito de amamentar a cada meia hora, o que prejudicaria o lucro empresarial.

Em segunda análise, a sociedade brasileira é pautada no patriarcalismo e o machismo, o que leva a propagação, ainda nos dias atuais, do julgamento do corpo feminino e o que deve ser feito com ele. Assim, de acordo com o sociólogo Pierre Bordieu, o homem nasce dentro de uma estrutura que o influencia e que ele perpetua o que absorveu, ou seja, o ser humano acha que pode intrometer-se no momento de aleitamento materno porque o corpo feminino é visto como público. Logo, muitas mulheres escutam que não se deve realizar isso em locais públicos porque as pessoas não precisam ver o colo do seio dela, como se tal atitude fosse convidativa para comentários.

Em vista disso, para reduzir o preconceito sofrido por mulheres que precisam amamentar, cabe ao Governo Federal realizar um acordo público-privado, em que uma empresa, após ser fiscalizada, ganha algum tipo de remuneração ao ter uma quantidade razoável de mulheres trabalhando e que todos os funcionários recebem direitos dentro da lei, para que  incentivo de diminuir desemprego feminino seja iniciado. Somado a isso, o Ministério da Saúde, juntamente com as mídias sociais, deve criar propagandas e projetos que passem em horário familiar, na qual mostre os benefícios do aleitamento materno e o porque não se deve esperar quando necessário, para que assim todos usufruam a DUDH.