Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 23/04/2020
O aleitamento materno constitui o alimento mais importante até os seis primeiros meses de vida, tal como compõe um dos principais alimentos até os dois anos de vida, conforme a Organização Pan-Americana de Saúde. No contexto atual, essa temática tem sido cada vez mais debatida em vários aspectos, dentre eles, a realização do desmame precoce, associado a fatores trabalhistas ou ainda estéticos. Além dessa questão, a amamentação é também polemizada no tocante à sua realização em público.
Contudo, é válido destacar que as vantagens da aleitação materna são indiscutíveis para o lactante, devido a presença de nutrientes necessários para a sobrevivência. No entanto, estudos realizados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), apontam que apenas 38% dos neonatos são alimentados até os seis meses, e só 32% das mães, continuam alactando seus filhos até os 24 meses de vida. Dentre os principais fatores do desmame precoce, pode-se citar; a inexistência do vínculo afetivo entre mãe e bebê, a percepção de leite suficiente, a necessidade das genitoras retornarem ao trabalho após o período de licença maternidade (válida por apenas 4 meses), bem como questões estéticas, visto que muitas progenitoras deixam de aleitar seus filhos com receio que suas mamas fiquem flácidas.
Além desse coeficiente, há ainda a discordância por parte do corpo social em relação à lactação em público. Segundo Giugliani (2004) esclarece, “amamentar” torna-se mais além que alimentar a criança. Pois envolve uma complexa relação, com trocas afetivas entre duas pessoas, contribuindo para o estado nutricional do recém-nascido e no seu desenvolvimento cognitivo e emocional. Acerca dessa percepção, apreende-se que a amamentação trata-se de um momento afetivo que para sua realização, faz-se necessário ocorrer em ambiente propício, mesmo que em local público, deve-se suceder de forma reservada, livre de aglomeração de indivíduos, para que então os vínculos afetuosos e as contribuições do aleitamento, sejam prezados.
Em suma, com base nos argumentos antepostos, em relação ao desmame precoce, é preciso que sejam efetuadas por parte dos orgãos públicos, campanhas eficientes para ressaltar a importância da lactação, o estímulo quanto a importância da família no apoio à lactação, bem como o acompanhamento (através dos agentes de saúde, por exemplo) das crianças e das mães após a alta da maternidade. Em referência ao alactamento em público, é de fundamental importância a criação por parte do governo, de locais reservados para a aleitação, reduzindo de forma eficiente os dados de desmame precoce e a problematização em torno da aleitação em público.