Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 22/04/2020
“É mais fácil desintegrar um átomo do que o preconceito enraizado.” Essa máxima de Albert Einstein pode ser associada à questão do aleitamento materno no Brasil. Afinal, apesar dos inúmeros benefícios decorrentes do aleitamento , o preconceito existente faz com que muitas mulheres interrompam a amamentação.
Em análise à questão do aleitamento no Brasil, é cognoscível o quanto a amamentação é necessária no desenvolvimento do bebê, uma vez que a lactação garante o crescimento físico do recém-nascido. Corrobora-se essa assertiva segundo a Organização Mundial da Saúde ao denotar que o leite materno é a melhor forma de garantir os nutrientes essenciais aos recém-nascidos até seis meses. Outro fator que elucida essa afirmativa é o fato do aleitamento materno não ser somente um ato de amor por ser fundamental também à mãe. Ratifica-se esse contexto à Licença Amamentação, assegurada pela Consolidação das Leis Trabalhistas no artigo 396, o qual endossa à amamentadora uma hora diárias de licença para esse vínculo afetivo e nutricional entre mãe e filho.
No entanto, apesar do Brasil ser referência mundial em amamentação, é notório que organismo materno é um dos relevantes no processo de lactação, visto que as pressões internas como medo, estresse e insegurança interferem na fabricação do leite. Isso pode ser melhor entendido através do conceito de Sociedade do Cansaço de Byung Chul Han, o qual atesta que a exigência extrema leva à problemas psicológicos, que prejudicam o aleitamento materno. Outro motivo que explica essa reflexão é a sociedade impor preconceitos e padrões acerca da amamentação, como o aleitamento em público. Essa conjuntura pode ser melhor elucidada pela definição do Habitus de Bordieu, a qual asserta que a sociedade possui padrões que são impostos, naturalizados e reproduzidos, criando tabus para as mulheres.
Portanto, apesar da existência de medidas que valorizem a importância do processo de lactação, nota-se que ainda há muito a ser feito. Logo, é vital que o Estado, mantenedor da ordem social, assegure o cumprimento das leis, através de uma maior fiscalização das empresas sobre a realização das diretrizes das leis trabalhistas, a fim de garantir ao amamentador e ao amamentado o direito que eles têm. É necessário também que a escola, instituição formadora de indivíduos críticos, incentive a valorização da amamentação, por meio de aulas e palestras que denotem a importância física, psicológica, imunológica e afetiva para a mãe e para o bebê. Assim, caminhar-se-à para uma sociedade que não mede esforços e não têm preconceitos por um ato de amor.