Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 19/04/2020
Já no século passado, a psicanalista Melanie Klein estudava o ato de amamentar e enfatizava suas influências no desenvolvimento físico e psicológico do bebê, bem como no fortalecimento da relação materna. Entretanto, se por um lado o aleitamento garante a saúde da criança, por outro, esse ato ainda é prejudicado pelo preconceito que algumas mulheres enfrentam ao amamentarem em público, o que pode gerar rupturas que são ameaças ao pleno desenvolvimento infantil.
A princípio, faz-se importante destacar a importância dessa alimentação no desenvolvimento do bebê, tornando-o menos propenso ao aparecimento de doenças. Sobre isso, a Organização Mundial da Saúde (ONU) afirma que crianças que nunca foram amamentadas têm vinte e dois por cento mais chances de serem obesas. Esse é um dos exemplos dos benefícios associados a essa nutrição. Além disso, diversas outras doenças podem ser evitadas, uma vez que o leite possui uma série de anticorpos que são passados para o bebê. Outrossim, é nesse encontro que surge o fortalecimento da relação entre a mãe e a criança, gerando nesta um sentimento de segurança que pode contribuir para sua saúde mental ao longo da vida.
Por outro lado, observa-se que, apesar de o Brasil, de acordo com a OMS, ser referencia no aleitamento materno, as mães ainda enfrentam preconceito ao amamentarem em ambiente público. Com isso, surge o aumento do uso de mamadeiras por aquelas que se sentem acuadas nesses ambientes, reduzindo o tempo de lactação. Nesse cenário, é válido ressaltar que de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), é dever do governo, das instituições e dos empregadores garantirem condições propícias ao aleitamento materno. Sendo assim, nenhuma criança pode ter esse direito tolhido, cabendo a sociedade em geral estimular esse ato, bem como contribuir para redução nesse tipo de preconceito.
Infere-se, portanto, que a questão do aleitamento materno no Brasil deve ser priorizada, tendo em vista seus benefícios. Para isso, é necessário que o Governo, por meio do Ministério da Saúde, implemente ao programa de pré-Natal momentos de trocas entre as gestantes e profissionais nutricionistas, por meio de palestras, grupos ou rodas de conversa na unidade de saúde durante o acompanhamento gestacional. Com isso, será possível assegurar a importância da amamentação para mães e bebês. Além disso, cabe ao ministério a divulgação, nas mídias sociais, de estímulos à naturalização do aleitamento, para que possa acontecer em qualquer ambiente, contribuindo para redução do preconceito e para assegurar o direito da criança.