Aleitamento materno em questão no Brasil

Enviada em 17/04/2020

O aleitamento materno vem sendo uma questão no Brasil desde a época escravocrata, quando mulheres de classes abastadas, por inúmeros motivos, sejam eles de saúde ou até por cobrança estética, utilizavam escravas amas de leite para o aleitamento dos ´´filhos da casa-grande´´. Sob esse viés, o leite materno é o alimento mais importante para a vida da criança, entretanto, muitas mães ainda ´´colocam na balança´´ o preconceito social que podem sofrer e importância do ato de amamentar.

Em primeira análise, o preconceito atrelado à amamentação ainda é, mesmo no século XXI, um grande empecilho ao alactamento. Uma sociedade patriarcal, atrelada à uma grande sexualização e pressão estética sobre o corpo feminino, cobram das lactantes modos, lugares e momentos específicos para a aleitação das crianças, tamanha conotação sexual atribuída à esse ato. Segundo a pensadora Simone de Beauvoir, o pensamento machista impõe uma série de comportamentos às mulheres, como se pode perceber em relação a como o corpo social ´´espera´´ que as mães alimentem os próprios filhos. A Pesquisa Global sobre Aleitamento Materno indicou que o Brasil é o país líder em preconceito relacionado à amamentação, no qual 47,5% das entrevistadas relataram terem sido vítimas dessa situação.

Em segunda análise, o trabalho compete com a importância do aleitamento materno. Desde o início da inserção feminina no mercado de trabalho durante o Governo Vargas, o número de crianças que consomem leite materno diminuiu, principalmente devido à falta de tempo da mulher, levando cada vez mais mães a comprarem leite em fórmulas prontas. Contudo, atualmente consumido por uma média de 54 dias (quando o recomendado pela Organização Mundial de Saúde é de no mínimo 6 meses), o leite materno traz para a criança, além da própria alimentação, benefícios como a prevenção do câncer, fortalecimento do sistema imunológico, além de benefícios ao sistema nervoso. Para a mãe, câncer (mama e ovários) e a anemia materna podem ser prevenidos com essa prática.

Por conseguinte, urgem medidas como a expansão da lei em vigor na cidade de Salvador, que resulta no pagamento de multa por parte de quem comete preconceito em relação à prática da amamentação, cabendo ao Legislativo a promoção dessa norma para todo o território nacional, objetivando a diminuição desse tipo de discriminação. Ademais, cabe ao Ministério da Saúde a promoção de palestras ministradas por profissionais da saúde em locais de trabalho, para alertar as funcionárias sobre a importância da lactação, tendo como finalidade a amamentação pelo tempo indicado pela OMS, sem levar a mulher a abandonar o trabalho.