Aleitamento materno em questão no Brasil

Enviada em 20/04/2020

Em meados do século XIX, durante o período escravista no Brasil, as escravas eram constantemente usadas para amamentar crianças alheias, sendo conhecidas como “ama de leite”, devido à regras sociais que declaravam tal prática deselegante. Hodiernamente, é notório como o processo histórico brasileiro se reflete na sociedade atual, criando um estigma em torno do aleitamento materno. Apesar da importância de tal ato para a saúde do bebê, muitas mulheres se sentem constrangidas ao amamentarem seus filhos em público, devido à olhares preconceituosos que as reprimem, tornando-se necessário analisar e estimular estas mães acerca da prática que deveria ser natural a todos.

Em primeira análise, é relevante observar que durante a pós-modernidade surgiram diversas formas de substituir a amamentação materna, mas nenhuma delas mostrou-se tão eficaz quanto à propriamente dita. O leite materno trás inúmeros benefícios para o desenvolvimento do recém-nascido, sendo eles físicos, psicológicos e, principalmente, afetivos, criando uma conexão entre a mãe e o bebê. Segundo a OMS, o aleitamento feito até, no mínimo, 6 meses de vida, reduz em 13% a mortalidade até os cinco anos de idade da criança. Do contrário, podem haver sequelas para eles.

Segundo a constituição federal de 1988, a saúde é um direito de todos, garantindo, em um estado ideal, que uma mãe alimente o recém-nascido sempre que necessário para prover sua saúde. Contudo, esse direito esbarra com o preconceito inserido na sociedade, que constrangem as mães que precisam alimentar seus filhos em público, através de olhares reprovadores e até mesmo julgamentos explícitos. Segundo uma pesquisa global sobre aleitamento materno, 47% das mães já sofreram preconceito ao amamentar em público no Brasil. Dessa forma, muitas vezes, envergonhadas com tais situações, as mães recorrem às indústrias lácteas infantis que comercializam leite artificial, ocasionando na redução do tempo de amamentação e prejuízos futuros para a criança.

Portanto, medidas são necessário para resolver o impasse. Dessa forma, o Ministério da Saúde deve estimular e conscientizar as mães em fase de amamentação sobre a importância de manter-se firme na alimentação natural e materna para criança e seus benefícios, além de conscientizar toda a população acerca da mesma, através de campanhas publicitárias em locais públicos e veículos de comunicação, visando alcançar a população em massa. Objetivando, o fim do estigma em torno do assunto e evitar que o mesmo prejudique o tempo de amamentação dos bebês. Enfim, desmistificando a ideia de deselegância inerente a amamentação desde o período colonial.