Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 24/04/2020
Na história mitológica da fundação de Roma, Rômulo e Remo são retirados de sua mãe e abandonados no rio Tibre, mas posteriormente são encontrados e alimentados por uma loba com seu leite. Saindo da mitologia, percebe-se que, assim como os irmãos, muitos bebês não se alimentam com o leite materno - canal que permite a entrada de nutrientes e anticorpos essenciais. Nessa situação, o preconceito da sociedade quanto ao ato é um fator que interfere nessa conexão, o que reverbera em mães aderindo ao uso de leite de outros animais no desmame.
Em uma primeira observação, percebe-se que o repúdio quando ao aleitamento é devido, principalmente, à historia brasileira. Desde a colonização, o corpo da mulher era objetificado e sexualizado, o que leva-as a terem que cobrir seus corpos. Segundo o pensamento do filósofo Pierre Bourdieu, o pensamento da família é interiorizado pelo indivíduo para depois exteriorizado na sociedade. Por isso, na atualidade, essa mentalidade ainda persiste pelas gerações, com a ideia de que o corpo exposto em excesso é considerado proibido. Desse modo, quando a mãe expõe a mama em público, as pessoas envolta tendem a se incomodar com a ação, desestimulando as mães a continuar o ato após o período de aleitamento exclusivo.
É preciso comentar que, consequentemente, auxiliadas pela pressão social pelo desmame, as mães procuram utilizar leite de outros animais, como a vaca. Nesse contexto, o canal de comunicação entre mãe e bebê é quebrado, o que prejudica a transmissão de nutrientes - que pode gerar obesidade ou desnutrição - e aumenta a suscetibilidade à infecções. Além disso, segundo o psicanalista Freud, o bebê apenas se separa subjetivamente da mãe no momento do desmame. Ao considerar esse pensamento, essa quebra brusca da conexão entre os dois, principalmente quando passa a fase do aleitamento exclusivo, reverbera numa insegurança e frustração na criança.
Portanto, é fundamental incentivar e abordar o aleitamento materno no Brasil. Para isso, é preciso que o Estado ajude a normalizar o ato e estimule o desmame no momento certo. Com esses objetivos, o Ministério da Educação, com o auxílio dos professores da área de Ciências Biológicas, deverão abordar o tema por meio da exibição de documentários durante as aulas aos alunos de instituições de ensino fundamental e médio. Aliado a isso, o Ministério da Saúde deverá trazer o assunto aos hospitais e clínicas por meio de médicos especializados na área, para informar as gravidas e mães das consequências do desmame abrupto. A partir dessas atitudes, a amamentação no Brasil será normalizada e crianças como Rômulo e Remo não terão sua conexão com sua mãe cortada abruptamente.