Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 22/04/2020
De acordo com a obstetra Letice Silva, a prática da amamentação é favorável tanto para o bebê quanto para a mãe. Apesar da naturalidade que envolve o ato, existe um entrave no que tange a como a sociedade enxerga a ação quando em público. Com isso, a maternidade brasileira encontra uma barreira de preconceito e desinformação.
A princípio, é assegurado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, à mãe, o direito de lactar o bebê em qualquer ambiente, seja privado ou público. Contudo, a prática é relacionada diretamente com a objetificação do corpo da mulher, uma vez que, o problema não é o ato de amamentar em si, e sim o fato do seio ficar exposto de alguma maneira. Desse modo, aleitar em público é visto de forma sexualizada, quando na verdade é o ato mais natural do ser humano e garantido por lei. Essas barreiras levam a mulher a esconder a ação ou até mesmo evitá-la.
Somando a isso, no ano de 2018 a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (INFRAERO), divulgou uma nota onde garantia que as mães podiam amamentar em qualquer aeroporto, desde que fosse usada uma “fraldinha” entre o seio e o rosto do bebê. Desta maneira, fica explícito que nem órgãos públicos ficam livres da desinformação. Visto que, quando uma nota com esse tipo de informação é lançada ao público, é disseminado algo que muitas pessoas já consideram um tabu, influenciando ainda mais nos problemas que a maternidade brasileira enfrenta quando a lactação.
Assim, é fundamental que o Senado aprove leis que intensifiquem de forma mais rigorosa, a ação de impedir ou coagir o fim do ato de aleitamento materno em público, com forte fiscalização e apoio às lactantes. Além disso, é de grande valor que o Ministério da Saúde junto a veículos midiáticos, conscientizassem a população da importância de enxergar a amamentação como parte natural da vida. Deste modo afastando a visão sexualizada, por meio de comerciais televisivos e palestras em centros educacionais. Afinal, é crucial para a sociedade brasileira livrar-se de preconceitos ante a realidade da aleitação materna.