Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 07/05/2020
O documentário “De Peito Aberto” retrata a perspetiva de seis mães durante os primeiros 180 dias após o parto. Essas mulheres vivem o desafio de amamentar seus filhos durante o período recomendado pela Organização Mundial da Saúde(OMS) que é de seis meses. Desse forma, sentimentos de medo e ansiedade foram as adversidades expostas que também fazem parte do cotidiano de muitas brasileiras. Nesse viés, é necessário analisar como a pouca informação diante da lactação e a permanência de uma legislação retrograda contribuem com o desmame prematuro.
Em primeiro lugar, a ausência de conhecimento sobre a amamentação pode diminuir esse período. Isso ocorre, pois ao longo dos nove meses de gestação diversos progenitores se preocupam apenas com o enxoval da criança e não procuram orientação sobre o aleitamento, sendo assim, diante de trauma mamilar, dor e baixa produção de leite, optam por substituir o leite materno por alimentos industrializados. Entretanto, esses produtos apresentam menor composição nutricional e também não estimulam a produção de células de memória imunológicas, segundo a OMS, a obesidade na fase adulta está associada ao menor tempo de lactação. Logo, o desconhecimento sobre aleitamento ainda no pré-natal pode comprometer o crescimento saudável de seus descendentes.
Em segunda análise, a legislação trabalhista prevê licença maternidade, mas períodos maiores de três meses dependem do empregador. A ampliação do prazo de quatro meses para seis meses pode ajudar diversas mães que trabalham a cumprir as orientações da OMS. Por outro lado, a ampliação desse direito não é instaurado por todas as empresas, mas apenas para as que estão inscritas no Programa Empresa Cidadã. Nesse sentido, várias mulheres que não trabalham nesses espaços devem retornar aos seus posto após 120 dias, de acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, bebês que ficam seis meses ao lado da mãe têm reduzidas chances de contrair pneumonia,anemia e diarreia. Logo, a alteração na legislação pode diminuir a incidência de diversas doenças nos pequenos.
Portanto, o desconhecimento do processo de amamentação e a menor licença gestante dificultam o aleitamento no Brasil. Nesse sentido, para facilitar e incentivar a lactação as Clínicas da Família em parcerias com ONGs, que orientam mulheres, devem oferecer cursos presenciais e online com enfermeiras e fisioterapeutas para que os futuras pais saibam como conduzir a mamada, estimular a ejeção de leite e também sobre a transição alimentar. Sendo assim, será possível acabar com os desconfortos e alongar a lactação. Além disso, os governadores devem ampliar a licença maternidade para seis meses, a fim de oferecer uma infância mais saudável e segura. Desse modo, com essas medidas, será possível amenizar os problemas relatados no documentário “De Peito Aberto”.