Aleitamento materno em questão no Brasil

Enviada em 11/04/2020

O aleitamento materno no Brasil e em muitos outros lugares do mundo ainda é visto como algo impróprio, quando feito em público. Muitas vezes, quando mulheres estão amamentando em ambientes movimentados e com grande trânsito de pessoas elas são julgadas e assediadas. Todavia, essa ação deveria ser vista como algo natural, afinal, quando uma mulher está amamentando ela está, nada mais, nada menos, que nutrindo e cuidando de uma vida. Porém, a sociedade através de séculos de construções de preconceitos e machismo criou um tabu em torno dessa questão.

Anteriormente e ainda hoje, o corpo feminino foi objetificado e visto como instrumento de prazer pela sociedade brasileira. As mulheres quando vistas nuas nas mídias e propagandas para vender produtos são mostradas e exibidas de forma sensual. Isso contribuiu com a visão preconceituosa que muitas pessoas, inclusive mulheres, têm sobre a amamentação em público, já que deixa os seios à mostra e eles representam, na nossa realidade atual, um símbolo da sexualidade feminina.

Logo, a erotização dos seios está disseminada e incorporada em praticamente toda cultura brasileira, a partir do momento que os peitos começam a se desenvolver na menina, ela já é vista com outros olhares, com sensualidade e como símbolo sexual, mesmo sendo ainda uma criança. Os seios deixam de representar fonte de vida para representar fonte de prazer, mesmo tendo como função única e biológica amamentar e nutrir os seres vivos.

Portanto, algo deve ser feito com o objetivo de desconstruir o tabu erguido pela sociedade sobre a amamentação em público. Para isso acontecer, o Ministério da Saúde deve promover campanhas e propagandas enfatizando a importância do aleitamento materno, mostrando de forma natural mulheres amamentando seus filhos. Essas propagandas devem ser expostas em locais públicos e de grande acesso como ônibus e praças. Além disso a mídia deve parar de erotizar o corpo feminino e passar a mostra-lo como algo essencial à vida.