Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 04/05/2020
Durante o período colonial brasileiro, o imperialismo português na África tomava de comunidades nativas suas terras e indivíduos, trazendo-os para o Brasil de maneira escravista. Já em solo americano, as mulheres negras e escravas eram subjugadas aos seus senhores, de maneira que se forma uma classe feminina, conhecida como amas de leite, responsável pelo amamentação dos filhos dos escravocratas, excluindo a função da progenitora. Conquanto, hodiernamente, a questão do aleitamento materno persiste como uma problema social e de complexa magnitude. Desta forma, cabe avaliar o papel do aleitamento na construção da infância, perante as dificuldades estruturais, e sua problematização em meio público, como resquício de um passado patriarcal.
Primeiramento, urge a necessidade de ratificar a lactação como uma ação social, na qual é fundamental para o desenvolvimento da criança, não só fisicamente, como também, sua atividade cognitiva, além do estabelecimento de vínculos com a figura da mãe. Tal assertativa está relacionada a pesquisas realizadas pela Universidade de Connecticut, nos Estados Unidos, a qual indica que o aleitamento materno, na primeira infância, contribui para o processo psicossocial do indivíduo, afetando, portanto, a construção deste como ser social. Em torno dessa questão, há o déficit da saúde pública brasileria na manutenção desses benefícios, vista a desinformação popular e a precarização da estrutura dos hospitais para informar e sanar os problemas, a exemplo a incapacidade de produzir leite.
Outrossim, no meio social é, ainda, persistente o ideal de cultura patriarcal, na qual a sexualização do corpo feminino é latente, já que, apesar de sua importância, a amamentação em locais públicos esbarra no conservacionismo popular. Este pensamento é debatido pelo filósofo francês Pierre Bourdieu, por causa da teoria do Habitus, em quê admite a manutenção de costumes, a partir da sua enraização na sociedade; como visto na idealização da estética do feminal e sua estética de pureza. Constituinte de um extenso debate, é assegurado às mulheres o direito de amamentar conforme as necessidades da criança, o que não se confirma na dinâmica formada pela sociadade, visto que tais resquícios antiquados as expõem a situações de abuso, configurando a ignorância comunitária.
Infere-se, portanto, as dificuldades ao aleitamento materno no Brasil. Por isso, compete aos poderes Legislativo e Executivo, consoante Ministério da Saúde , contornar a precarização do acesso a informação e a manutenção dos direitos das mulheres, por meio da formulação e plena execução de leis federais para garantir segurança alimentícia à criança, no ato de amamentar, acompanhado de campanhas sociais e investimento em infraestrutura hospitalar, a fim de dissolver estruturas sociais excludentes. Somente assim, a figura das amas de leite não será atrelada à realidade contemporânea.