Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 04/05/2020
O período de aleitamento, consoante a Organização Mundial da Saúde (OMS), não só gera laços nutritivos como também afetivos entre mãe e filho. Entretanto, a permanência do tabu acerca da amamentação gera uma esfera desagradável às figuras maternas. Essa problematização manifesta-se, ora pela falta de informação nas escolas, ora pela erotização do corpo feminino.
Primeiramente, é evidente que esclarecimentos de cunho biológico, como a amamentação, deveriam ser abordados nas escolas, porém, as autoridades escolares os tratam como tabu. De acordo com a OMS, o Brasil tem 68,4 bebês nascidos de adolescentes para cada mil meninas de 15 a 19 anos, circunstância que o deixa acima da média. Nessa lógica, espera-se milhares de mães jovens não tenham conhecimento relativo ao aleitamento, fator que impacta diretamente na vida do bebê.
Outrossim, a visão do corpo da mulher como objeto sexual sustenta um cenário desconfortável a quem amamenta. Até o início do século XXI, as mulheres eram estereotipadas como instrumento de satisfação sexual do marido. Essa ideologia deixou sequelas, bem como contribuiu com a simbolização erótica do seio. Em vista disso, é indubitável que a naturalização de atitudes machistas limita a amamentação a locais privados.
Em síntese, o preconceito e as restrições à amamentação no Brasil configuram um problema a ser solucionado. Assim sendo, cabe ao governo federal, mediante o Ministério da Educação, incluir nas escolas pautas e atividades obrigatórias quanto à amamentação, por meio de palestras e aulas de Biologia realizadas por profissionais da saúde e pedagogos treinados. Ainda, é imperativo que o Ministério da Cidadania realize eventos que tratem com naturalidade o corpo feminino, por meio da participação voluntária de artistas. Dessa forma, é criada uma juventude bem informada e capaz de reverter a situação atual marcada pela sexualização e misoginia.