Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 06/05/2020
De acordo com os sociólogos Peter Berger e Thomas Luckmann, a família possui um papel fundamental na socialização primária, processo pelo qual a criança aprende a conviver com o outro. Nesse sentido, a amamentação representa uma etapa fundamental desse aprendizado, na qual o bebê tem seu primeiro contato afetivo, além da alimentação. Apesar dessa notória importância, o aleitamento materno é impedido pela insuficiente difusão de informações sobre o benefício do mesmo e pelo preconceito experimentado pelas mães.
Primeiramente, é mister enfatizar a importância de divulgar os benefícios do aleitamento materno, tanto para o bebê, quanto para a mãe. De acordo com pesquisa publicada no periódico The Lancet, um dos mais respeitados para divulgação científica na área médica, a amamentação está relacionada a redução da obesidade e diabetes infantil, além da prevenção do câncer de mama nas mães. Apesar dos claros benefícios à saúde dessa prática, a UNESCO relata que pouco mais de um terço das crianças se alimentam exclusivamente de leite materno até os 6 meses no Brasil, ou seja, consoante às recomendações da OMS. Assim, pode-se inferir que as mães devem ser melhor alertadas e estimuladas a manter a prática da amamentação por mais tempo.
Por outro lado, a discriminação contra o aleitamento em público pode ser também um fator preponderante nessa questão. Com a recente emancipação feminina, a mulher tem conquistado seu espaço fora do ambiente doméstico. Não obstante, a sociedade brasileira ainda é profundamente machista, e tentativas de impedir a amamentação pública se tornam uma forma de coibir a ocupação de certos espaços pela mulher. Para exemplificar, pode-se citar o exemplo de uma jovem expulsa de uma sala de aula de faculdade em Belo Horizonte por estar amamentando, em 2019. Não é possível permitir que o machismo, nesse caso manifesto através de uma expulsão física, impeça filhos e mães de usufruírem dos benefícios da amamentação.
Conclui-se, portanto, a necessidade de garantir que as mulheres sintam-se seguras e estimuladas a amamentar seus filhos. Para isso, o Ministério da Saúde deve, em parceria com a Secretaria de Comunicação, criar campanhas publicitárias educativas, a serem exibidas na televisão e em redes sociais, para conscientizar dos benefícios da amamentação. Ademais, o Poder Legislativo deve criar legislação clara que vise impedir a expulsão de mulheres de ambientes públicos em virtude de estarem amamentando, de modo a dar mais segurança para as mães. Dessa maneira, será possível não só preservar, mas incentivar essa prática importante para a criação de adultos saudáveis.