Aleitamento materno em questão no Brasil

Enviada em 15/05/2020

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, denota uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa, na realidade contemporânea, é o oposto do que o autor prega, uma vez que a questão do aleitamento materno apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da falta de apoio/aconselhamento às mães, quanto do fator econômico.

Em primeiro lugar, é fulcral pontuar que a falta de aconselhamento especializado às mães deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Dessa forma, devido à falta de atuação das autoridades e gestores, o Sistema Único de Saúde (SUS) apresenta falhas na disseminação de informações e auxílio necessários para as lactantes. Com efeito, segundo o pediatra canadense, Jack Newman, que esteve em Minas Gerais, o insucesso das mães em amamentar exclusivamente até os seis meses ocorre pela má ou incompleta informação, pois deveria haver, também, um auxílio diante de qualquer dificuldade antes de incentivar o uso de fórmulas alimentícias. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Além disso, é imperativo ressaltar o fator econômico como promotor do problema. De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), a América Latina está entre as regiões com as maiores médias de aleitamento materno, entretanto, não alcançou a meta de 50% de amamentação exclusiva até os seis meses de vida. A partir desse pressuposto, nota-se que por ser um alimento gratuito, o aleitamento materno ocorre com mais frequência em regiões economicamente vulneráveis; contudo, a permanência da amamentação é deficitária pela falta de acompanhamento, desigualdade de renda, entre outros, o que leva à altas taxas de doenças e mortalidade infantis. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que o aspecto econômico contribui para a perpetuação desse quadro deletério.

Portanto, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Destarte, com o intuito de mitigar a questão da lactação, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Saúde, será revertido em medidas para a ampliação da assistência à lactantes, por meio de grupos de apoio com profissionais da saúde, gestantes e lactantes, não apenas nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) mas nas maternidades. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo da questão do aleitamento materno, e a coletividade alcançará a Utopia de More.