Aleitamento materno em questão no Brasil

Enviada em 17/05/2020

Segundo as narrativas da mitologia grega, Rômulo e Remo, fundadores da cidade de Roma, foram abandonados e sobreviveram graças ao leite de uma loba que os nutriu. Indubitavelmente, o leite materno é rico em nutrientes necessários para um bom desenvolvimento do organismo de crianças. Em contrapartida, o Brasil enfrenta desafios no que diz respeito a um aleitamento efetivo e suficiente, tendo em vista que amamentar em público ainda seja um tabu e que a maioria dos recém-nascidos não seja alimentada exclusivamente com leite materno nos seus primeiros meses de vida.

De fato, a amamentação em público é pauta para diversos debates, contudo, ainda é um tabu na sociedade brasileira. Em 2019 revista Vogue publicou uma matéria, com dados de uma pesquisa realizada pela empresa de sutiãs Milx, que revelou que uma em cada três pessoas entrevistadas já havia sido constrangida por lactar em público. Isto deve-se ao fato das mamas femininas serem, comumente, atribuídas às práticas sexuais, de modo que algo natural e imprescindível para o bebê como o aleitamento seja avaliado como impróprio e indevido. Nesse contexto, esta assimilação inadequada tem efeitos deletérios no cotidiano de quem aleita e dificulta a efetividade deste ato, além disso evidencia uma mentalidade anacrônica por parte da população.

Outrossim, muitos recém-nascidos em seus primeiros meses são nutridos não apenas com leite materno, mas também com outros alimentos. Nesse sentido, o levantamento realizado pela Organização Mundial da Saúde e o Fundo das Nações Unidas para a Infância denuncia que o índice de amamentação exclusiva entre crianças de até seis meses, no Brasil, é de cerca de 40%. Decerto, grande parcela das mulheres que interrompe a amamentação precocemente apresenta complicações como, traumas mamilares e baixa produção de leite durante a lactação e essa circunstância é proveniente da má técnica de amamentação. De modo que o descaso do poder público seja evidenciado em um cenário de aparo insuficiente para mulheres que estão aleitam.

Assim sendo, o aleitamento materno é uma questão de extrema importância para o país, considerando que o atual cenário não é adequado. Portanto, cabe ao Ministério da  Mulher, da Família e dos Direitos Humanos conscientizar a sociedade brasileira acerca do direito que as mulheres têm de amamentar em público, por meio de campanhas publicitárias que normalizem a amamentação, a fim de naturalizar esse ato e de criar uma atmosfera saudável. Ademais, urge que o Ministério da Saúde ofereça um amparo maior para mulheres que estão aleitando com o fito de, assim como o leite da loba na mitologia romana nutriu os precursores de Roma, o leite materno nutra as crianças brasileiras.