Aleitamento materno em questão no Brasil

Enviada em 19/05/2020

A nutrição da sociedade sem leite

Amamentar, no grupo dos mamíferos, representa a nutrição dos filhotes e,muitas vezes,o afeto entre este e sua progenitora.Entretanto,como, dentre os indivíduos pertencentes à família Mammalia, os seres humanos são os únicos capazes de racionalizar e,portanto,julgar e construir paradigmas, a amamentação, muitas vezes, é vista de forma preconceituosa quando realizada em locais públicos, sobretudo no Brasil - que, devido à desinformação,boa parte das pessoas desconhecem a importância do ato.Nesse contexto, é necessário um debate entre Estado e sociedade, a fim de que os erros existentes sejam sanados.

Sob esse viés,pode-se ressaltar o fato de a Constituição Federal de 1988 assegurar o direito à educação,entretanto, assim como o ensino primário é defasado, a educação das futuras mães nos centros de saúde é também.Nesse sentido, a desinformação acerca da importância da amamentação para nutrir,imunizar e criar laços afetivos entre mães e filhos prejudica esse processo.Além disso,instruções de como introduzir de forma correta a “pega” do recém-nascido ao peito não são realizadas, o que provoca a desistência das mães diante das dificuldades anatômicas e fisiológicas do bebê. Por conseguinte, a recomendação da OMS de amamentação ideal até os 2 anos de idade é negligenciada.

Convém ressaltar, também,que o Brasil possui altos índices de violência contra a mulher, fato constatado por 92 mil denúncias de ferimento à Lei Maria da Penha, segundo o Governo Federal em 2019.Isso demonstra a existência de uma sociedade patriarcal que, no contexto de exposição pública feminina para fins de aleitamento, sofre preconceitos como: convite a se retirar do ambiente para continuar a amamentação, piadas de cunho sexual com os seios e recebimento de ordens para cobrirem a exposição dos órgãos.Por consequência,as mães se sentem inibidas e deixam de amamentar suas crianças.

Diante disso, é necessário um debate entre Estado e sociedade, a fim de que os erros existentes sejam sanados.Cabe,portanto, ao Ministério da Saúde a criação de campanhas na internet e capacitação de fonoaudiólogos, através de cursos mensais, que incentivem o correto aleitamento pelas mães;e ao Ministério da Educação a promoção de “podcasts” e vídeos no Instagram, com mães comunicando suas experiências, que desconstruam os preconceitos relacionados à objetificação e sexualização da amamentação.Assim, o Brasil caminhará para o crescimento saudável das crianças.